Na região de fronteira entre Plácido de Castro, Acre e Bolívia, um clima de tensão e medo vem tomando conta de famílias brasileiras que vivem da extração da castanha. Relatos apontam que produtores estão sendo expulsos de suas próprias propriedades por grupos de bolivianos armados, que atravessam a fronteira para reivindicar áreas de floresta ricas no produto, considerado um dos mais valorizados da região. A pressão acontece justamente no início da safra, quando a castanha se torna alvo de disputa econômica e territorial.
Moradores denunciam que os grupos estrangeiros chegam fortemente armados, intimidam trabalhadores e os obrigam a abandonar suas colocações. Em alguns casos, famílias inteiras deixam para trás casas, animais e anos de investimento. Muitos afirmam que a sensação é de total desamparo, já que a área é de difícil acesso e a presença de fiscalização é limitada. A situação, segundo eles, não é recente, mas se intensificou nos últimos meses com o aumento do valor da castanha no mercado.
A reportagem apurou que a invasão não ocorre apenas por conflitos econômicos, mas também pela fragilidade no controle da fronteira. Há registros de ameaças, disparos e destruição de bens. Produtores, temendo represálias, evitam sair sozinhos para a mata e muitos já deixaram de realizar a coleta diária por receio de novos confrontos. Para eles, a continuidade dessa atividade tradicional, que sustenta inúmeras famílias, está comprometida.
Não obtivemos informações se diante das denúncias, as autoridades brasileiras estão cientes do problema, porém é urgente reforçar a segurança na região e avaliar ações conjuntas entre as forças de segurança brasileira e boliviana para coibir a atuação dos grupos armados e garantir proteção às comunidades extrativistas. Enquanto isso, as famílias afetadas aguardam medidas eficazes, na esperança de recuperar o direito de trabalhar em paz na terra que sempre lhes pertenceu.
Castanha
A castanha-do-pará, também conhecida como castanha-da-amazônia, é um dos produtos mais tradicionais e valorizados da região amazônica. O fruto nasce dentro de ouriços grandes e extremamente resistentes, que caem das castanheiras durante o período da safra. Cada ouriço pode conter dezenas de sementes, ricas em gordura boa, proteínas, fibras, vitaminas e minerais — especialmente o selênio, nutriente essencial para o bom funcionamento do organismo humano.
A coleta da castanha é uma atividade extrativista que movimenta a economia de milhares de famílias que vivem na região de fronteira. Tradicionalmente realizada por trabalhadores braçais que percorrem a floresta durante semanas, a extração segue um processo artesanal, passando pela abertura dos ouriços, seleção das sementes e transporte até os centros de beneficiamento. Em Plácido de Castro, essa atividade representa a principal fonte de renda e está diretamente ligada à preservação da floresta, já que depende da manutenção das árvores nativas.