Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) revelou um amplo esquema de irregularidades envolvendo parte de uma emenda parlamentar de R$ 6,3 milhões enviada ao Acre, em 2023, para ações de prevenção e combate ao mosquito Aedes aegypti. O relatório, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), aponta pagamentos sem execução de serviços, sobrepreços, superfaturamento e gastos simulados em capacitações que deveriam preparar professores e estudantes para atuarem como agentes multiplicadores no enfrentamento à dengue.
A investigação ocorre em um momento crítico para o estado. Somente em 2025, o Acre já registrou 8.500 casos prováveis de dengue, um aumento superior a 88% em relação ao mesmo período de 2024. Quatro pessoas morreram. Em Rio Branco, onde a situação é considerada de emergência em saúde pública por causa das arboviroses, os números são ainda mais alarmantes: 3.405 casos confirmados, crescimento de 180% em um ano.
A emenda foi destinada pela então deputada federal Jéssica Salles. O Ministério da Saúde fechou um convênio com o Instituto Sapiens, sediado em Brasília, para ministrar cursos em dez municípios acrianos. O objetivo era treinar professores e alunos para atuarem em ações educativas de combate ao mosquito. A CGU afirma que o projeto foi usado para desvio de recursos. Entre os problemas identificados no relatório:
Segundo o relatório, há também suspeitas de direcionamento na escolha das empresas responsáveis pelos cursos.
A Prefeitura de Rio Branco também investiu quase R$ 6 milhões em ações para evitar a escalada da dengue. Contudo, segundo dados oficiais, nenhuma ação efetiva de grande impacto foi realizada, e o montante se perdeu em meio à burocracia e à falta de execução. O resultado foi o agravamento da crise sanitária que atinge a capital.
Investigação no STF
A apuração da CGU atende a um pedido do ministro do STF Flávio Dino, que determinou um pente-fino nos repasses feitos por meio das chamadas emendas PIX. O relatório principal, já enviado à Corte, detalha os desvios no convênio.
Há, ainda, outro documento — não divulgado publicamente — que aponta indícios de participação de agentes políticos do Acre na estrutura que levou o Instituto Sapiens a vencer a licitação.
Esse material já está nos autos do processo e deverá orientar as próximas decisões do ministro, que podem incluir: