Uma foto rara da década de 1990 resgata um cenário hoje inexistente em Plácido de Castro: o antigo aglomerado de pequenos comércios e lanchonetes que funcionavam às margens da tradicional escadaria do rio Abunã, ponto de encontro, trabalho e convivência de muitas famílias.
Na fotografia, é possível observar barracas simples, estruturas de madeira e estabelecimentos improvisados, mas cheios de vida. O local era movimentado diariamente por ribeirinhos, comerciantes, viajantes e moradores que encontravam ali não apenas alimentos e produtos, mas também conversas, amizades e histórias que marcaram gerações.
Ao fundo da imagem, um detalhe que hoje ganha ainda mais significado histórico: aparece a vila boliviana MonteVidéo, que ficava do outro lado do rio Abunã. A comunidade, que mantinha uma relação próxima com Plácido de Castro, foi incendiada em 2006, deixando apenas lembranças e registros como este para contar sua existência.
A fotografia não mostra apenas um espaço físico, mas um período em que o rio era o principal elo entre povos, culturas e economias locais. A escadaria do Abunã funcionava como uma verdadeira porta de entrada da cidade, pulsando comércio, encontros e o cotidiano simples da fronteira.
Hoje, ao revisitar essa imagem, o sentimento é de nostalgia e reflexão. O tempo transformou a paisagem, apagou construções e levou personagens, mas não conseguiu apagar a memória coletiva de uma Plácido de Castro que cresceu às margens do rio, moldado pela força do comércio popular e pela convivência entre Brasil e Bolívia.
Registros como este são mais do que fotografias: são fragmentos vivos da história, que ajudam a manter acesa a identidade e a memória de quem chama o Abunã de lar.