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Doulas ampliam humanização no fim da vida

Doulas do fim da vida oferecem apoio emocional, simbólico e espiritual a pessoas em terminalidade e seus familiares. Complementares às equipes de s...

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
23/02/2026 às 13h02
Doulas ampliam humanização no fim da vida
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O PalliCast, podcast da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), apresentou um episódio dedicado a um tema ainda pouco conhecido no Brasil, mas cada vez mais relevante no cenário dos cuidados paliativos: a atuação das doulas do fim da vida.

Com mediação da Dra. Érika Lara, diretora de Comunicação da ANCP, o programa recebeu Glenda Agra, enfermeira, docente da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), integrante do Comitê de Enfermagem da ANCP e vencedora do segundo lugar do Prêmio Marcos Moraes de Pesquisa e Inovação para o Controle do Câncer, na categoria Cuidados Paliativos.

O episódio abordou o papel das doulas como figuras de apoio emocional, simbólico e espiritual a pessoas em processo de terminalidade e a seus familiares, contribuindo para ressignificar o fim da vida como um momento possível de presença, escuta, dignidade e sentido. Segundo Glenda, o conceito de doula da morte surgiu no final da década de 1990, inspirado na atuação das doulas do parto, a partir da reflexão de que o morrer, assim como o nascer, também demanda acompanhamento contínuo, acolhedor e humanizado.

As doulas do fim de vida não substituem profissionais de saúde nem realizam procedimentos clínicos. Sua atuação se dá no campo do cuidado relacional: estar ao lado, sustentar silêncios, ouvir histórias, apoiar rituais de despedida, facilitar conversas difíceis e oferecer presença contínua em um momento marcado por extrema vulnerabilidade.

Trata-se de um serviço — e não de uma profissão regulamentada — aberto a pessoas de diferentes formações, que passam por capacitação específica e aprofundamento pessoal sobre morte, luto e finitude.

Durante a conversa, Glenda compartilhou sua trajetória pessoal e profissional, marcada pela perda precoce do pai e por um luto interrompido na infância. Essa vivência a levou a buscar formação em Psicologia, Enfermagem e, posteriormente, Cuidados Paliativos, até encontrar na doulagem do fim da vida a "peça que faltava" para integrar técnica, ciência e humanidade.

"A doula ocupa um espaço que muitas vezes não é preenchido nos serviços de saúde: alguém que tenha tempo disponível para estar com o outro de forma plena, sem pressa, metas ou protocolos".

Ela destacou ainda que, embora os cuidados paliativos defendam a integralidade do cuidado, a formação acadêmica na área da saúde segue fortemente marcada pelo tecnicismo e pela centralidade dos procedimentos. "Nesse contexto, as doulas ajudam a resgatar dimensões ancestrais do cuidar, como o toque respeitoso, o olhar atento, a escuta sem interrupções e a construção de momentos simbólicos significativos no fim da vida".

O episódio também discutiu como a sociedade brasileira ainda lida com resistência ao tema da morte e, por consequência, à atuação das doulas. Segundo Glenda, o desconhecimento gera receios equivocados, como a ideia de que as doulas competem com profissionais de saúde. "Na prática, elas atuam de forma complementar, ampliando a rede de cuidado e fortalecendo vínculos entre pacientes, famílias e equipes".

Entre as práticas desenvolvidas pelas doulas estão exercícios de atenção plena, meditação guiada, música, leitura, massagem, aromaterapia, apoio nos rituais de despedida, sempre respeitando a cultura, a espiritualidade e os valores de cada pessoa. A presença contínua, muitas vezes impossível para profissionais submetidos a jornadas extenuantes, é apontada como um dos principais diferenciais dessa atuação.

Para a ANCP, o episódio reafirma o compromisso da entidade em ampliar o debate sobre modelos de cuidado mais humanos, sensíveis e integrados. "Ao trazer à tona a atuação das doulas do fim da vida, o PalliCast convida profissionais de saúde, pacientes e familiares a refletirem sobre o morrer como parte da experiência humana e sobre a importância de não deixar ninguém só nesse processo".

O programa está disponível nas plataformas digitais e integra a série de conteúdos do PalliCast voltados à qualificação do Cuidado Paliativo no Brasil.

Para ouvir o episódio nº 58, basta clicar aqui.

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