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Luto pode aumentar risco de doenças e afetar a saúde

Especialistas alertam que o luto pode afetar a saúde física e mental. Estudos indicam relação entre estresse prolongado, depressão e maior risco de...

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
13/04/2026 às 16h03
Luto pode aumentar risco de doenças e afetar a saúde
Crédito: Noe Garde

O luto, experiência inerente à vida humana, também pode produzir efeitos significativos na saúde física e mental. Pesquisas científicas recentes indicam que estados prolongados de sofrimento emocional, como depressão e ansiedade, podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Um estudo conduzido pelo sistema de saúde Mass General Brigham, afiliado à Harvard University, identificou que esse aumento de risco está relacionado à atividade cerebral associada ao estresse, à desregulação do sistema nervoso e a processos inflamatórios crônicos.

Os resultados reforçam a crescente compreensão, no campo da saúde, de que o equilíbrio mental e emocional exerce influência direta sobre o funcionamento do organismo. Situações de perda e luto, quando vividas de forma intensa ou prolongada, podem desencadear alterações fisiológicas capazes de afetar diferentes sistemas do corpo.

A psicóloga Silvana Caetano, especialista em processos de luto no Grupo Zelo, explica que o sofrimento decorrente da perda deve ser compreendido como uma resposta natural do organismo. "O luto é uma reação biológica e emocional esperada diante da perda de vínculos significativos. Quando essa experiência é reprimida ou silenciada, pode se manifestar por meio de sintomas físicos e psicológicos, associados ao aumento do estresse e à redução da imunidade", afirma.

Segundo a especialista, manifestações como ansiedade, alterações no sono e fadiga persistente são frequentemente relatadas por pessoas enlutadas. "O estresse prolongado pode favorecer o agravamento de condições já existentes ou mesmo contribuir para o desenvolvimento de doenças em indivíduos com predisposição genética", acrescenta.

A relevância do tema também é reconhecida em nível internacional. A Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o Transtorno de Luto Prolongado na Classificação Internacional de Doenças (CID-11), medida que ocorreu após o aumento expressivo de quadros de sofrimento psicológico observado durante e após a covid-19. O reconhecimento formal da condição reflete a compreensão de que determinadas formas de luto podem demandar acompanhamento especializado.

No contexto brasileiro, em que os índices de ansiedade figuram entre os mais elevados do mundo, segundo estimativas da própria OMS, especialistas apontam que perdas não elaboradas podem intensificar quadros de sofrimento emocional e impactar a qualidade de vida.

De acordo com Silvana Caetano, o acolhimento adequado e o respeito ao tempo individual são fatores importantes para prevenir complicações. "O processo de luto exige tempo e espaço para expressão emocional. A pressão social para que a pessoa ‘retome a normalidade’ rapidamente pode dificultar a elaboração da perda e intensificar o sofrimento", observa.

Ela destaca ainda que rituais de despedida, práticas culturais e religiosas e o suporte de redes de apoio têm papel relevante na elaboração da perda. "Esses elementos ajudam a reconhecer a importância do vínculo e contribuem para a reorganização emocional diante da ausência", explica.Apoio psicológico e espaços de escuta

Silvana indica que iniciativas de apoio emocional e grupos de escuta podem auxiliar pessoas enlutadas a lidar com os desafios do processo de perda. Esses espaços favorecem o compartilhamento de experiências e permitem que sentimentos como tristeza, saudade e angústia sejam reconhecidos e compreendidos dentro de um contexto coletivo.

"O acompanhamento psicológico e o apoio de familiares e amigos podem contribuir para que a pessoa encontre novas formas de reorganizar a vida após a perda", frisa Silvana Caetano.Sinais de alerta durante o luto

Embora o luto seja considerado um processo natural, Silvana alerta que alguns sinais podem indicar a necessidade de acompanhamento profissional. Entre eles estão:

  • isolamento social intenso e prolongado;
  • alterações persistentes no sono, como insônia frequente ou sono excessivo;
  • abandono do autocuidado, incluindo alimentação e higiene;
  • irritabilidade constante ou mudanças acentuadas de humor;
  • sensação persistente de vazio ou desesperança;
  • dificuldade prolongada de retomar atividades cotidianas.
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