O Acre passou a integrar a rota da exploração sexual de adolescentes e jovens, segundo estudo divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento evidencia um cenário que antes permanecia pouco visível, mas que agora ganha dimensão a partir de dados consolidados.
De acordo com os pesquisadores, a principal concentração dessa prática ocorre ao longo da BR-317, conhecida como Estrada do Pacífico, que atravessa municípios como Senador Guiomard, Capixaba, Epitaciolândia, Brasiléia e Assis Brasil.
O estudo aponta que a rodovia, que conecta o Acre ao Peru, tem contribuído para intensificar uma rede de exploração sexual envolvendo adolescentes e jovens, especialmente de áreas rurais e terras indígenas. Essas vítimas seriam levadas para cidades fronteiriças como Cobija, na Bolívia, e Puerto Maldonado, no Peru, onde há maior concentração de festas e casas noturnas.
Ainda segundo o FBSP, os dados de 2025 mostram que, nas regiões de fronteira da Amazônia Legal, meninas e mulheres enfrentam múltiplas formas de vulnerabilidade. A taxa de violência sexual nesses municípios é 68,7% superior à registrada em outras áreas da região amazônica.
O levantamento também destaca a presença de outras atividades ilícitas nessas rotas. Municípios como Cruzeiro do Sul, Acrelândia e Assis Brasil aparecem como pontos estratégicos no tráfico de drogas, especialmente no escoamento de cocaína proveniente do Peru e de skank oriundo da Colômbia.
O estudo reforça o alerta para a necessidade de políticas públicas integradas e ações de fiscalização mais eficazes nas regiões de fronteira, consideradas áreas sensíveis para o avanço de crimes transnacionais.