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Conta de luz sobe em todo o país após série de reajustes aprovados pela Aneel
Aumentos atingem mais de 29 milhões de consumidores e superam inflação projetada pelo mercado
23/04/2026 08h41
Por: Redação

A Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou nesta quarta-feira (22) uma série de reajustes tarifários que vão elevar a conta de luz em diversas regiões do país, impactando mais de 29 milhões de unidades consumidoras.

Parte dos aumentos já havia sido anunciada anteriormente, como os da Roraima Energia (24,13%), Enel Rio (15,6%), Light (8,6%) e CEA Equatorial (3,54%).

Na decisão mais recente, a agência confirmou novos reajustes, consolidando o que especialistas classificam como uma “super-quarta” de aumentos no setor elétrico. Entre os principais índices estão o da CPFL Santa Cruz (18,89%), um dos mais altos do ciclo, e o da CPFL Paulista (12,13%), que atende milhões de consumidores no interior paulista.

Também tiveram reajustes aprovados as distribuidoras Energisa Mato Grosso do Sul (12,1%), Coelba (5,8%), Energisa Mato Grosso (6,86%), Neoenergia Cosern (5,4%), Enel Ceará (5,78%) e Energisa Sergipe (6,86%).

Segundo a Aneel, os reajustes são puxados principalmente pelo aumento nos custos de compra de energia, pelos encargos setoriais — com destaque para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que financia políticas públicas — e pelas despesas com transmissão.

Em algumas regiões do Norte e Nordeste, mecanismos como a antecipação de recursos do Uso de Bens Públicos (UBP) ajudaram a reduzir o impacto, mantendo parte dos reajustes em um dígito. Um exemplo é a Coelba, que antecipou cerca de R$ 1 bilhão para aliviar a tarifa neste ciclo.

Mesmo assim, os percentuais aprovados superam a inflação oficial projetada, medida pelo IPCA, estimada em 4,8% no último boletim Focus do Banco Central do Brasil. 

Outro fator que pressiona as tarifas é a inclusão de ajustes financeiros de ciclos anteriores, além do fim de mecanismos que vinham segurando os aumentos. A diretora da Aneel, Agnes da Costa, destacou a necessidade de medidas estruturais para reduzir o impacto ao consumidor.

Mais reajustes podem vir

A tendência de alta deve continuar. A Aneel ainda analisa outros processos em consulta pública, como os da Copel (19,2%) e da Energisa Sul-Sudeste (7,23%), que ainda podem sofrer alterações antes da aprovação final.