O estado do Acre ganhou repercussão nacional após um ataque a tiros registrado no Instituto São José, em Rio Branco, que resultou na morte de duas servidoras da instituição e deixou estudantes feridos. O episódio, ocorrido durante o horário de aula, gerou pânico generalizado e mobilizou forças de segurança e equipes de socorro.
De acordo com relatos de alunos, o momento foi marcado por desespero e tentativa de autoproteção. Uma estudante de 11 anos descreveu que, ao ouvirem os disparos, a professora orientou a turma a se deitar no chão e apagou as luzes da sala como medida emergencial. Em meio à tensão, os estudantes buscaram abrigo e tentaram se resguardar próximos às paredes e portas, enquanto aguardavam informações sobre o ocorrido.
A comunicação com familiares ocorreu de forma limitada, uma vez que o uso de celulares é restrito dentro da unidade escolar. Ainda assim, alguns alunos conseguiram acionar responsáveis, que se deslocaram rapidamente até o local. Uma mãe relatou que, ao ser informada, deixou imediatamente o trabalho e seguiu em direção à escola em estado de aflição, evidenciando o impacto emocional causado pela ocorrência.
Segundo informações das autoridades, o ataque foi perpetrado por um adolescente de 13 anos, aluno da própria instituição, que teria utilizado uma arma pertencente ao padrasto. Os disparos ocorreram em um corredor de acesso à área administrativa, sem invasão direta às salas de aula. Apesar disso, o ambiente escolar foi tomado por pânico, levando estudantes a improvisarem barricadas com cadeiras na tentativa de se proteger.
Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) prestaram socorro imediato às vítimas, enquanto agentes das polícias Militar e Civil, incluindo a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, iniciaram os procedimentos investigativos. Conforme informações do comando do Batalhão de Operações Especiais, as duas vítimas fatais eram inspetoras da escola. Entre os feridos, um estudante foi atingido na perna e um adulto também sofreu lesões, sem gravidade.
O suspeito foi apreendido e encaminhado às autoridades competentes. Ainda de acordo com a Polícia Militar, outros alunos que teriam conhecimento prévio da ação estão sendo identificados e deverão ser ouvidos no decorrer das investigações. No local, foram encontradas cápsulas e carregadores, que serão submetidos à perícia técnica para elucidação dos fatos.
Em decorrência da tragédia, o governo estadual determinou a suspensão das aulas na rede pública por três dias, como medida de segurança e respeito às vítimas. O caso reacende o debate sobre segurança nas instituições de ensino e a necessidade de políticas preventivas mais eficazes para proteção de estudantes e profissionais da educação.