A condenação do ex-governador do Acre, Gladson Cameli, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nesta quarta-feira (6), repercutiu intensamente no cenário político e jurídico nacional. Sentenciado a 25 anos e 9 meses de prisão por crimes relacionados a corrupção, organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação, o ex-chefe do Executivo acreano classificou o processo como uma tentativa de “tapetão” político para afastá-lo da vida pública.
A decisão da Corte prevê cumprimento inicial da pena em regime fechado, embora a condenação ainda não tenha efeito imediato, já que a defesa poderá recorrer às instâncias superiores. Segundo os advogados de Gladson Cameli, houve falhas processuais e ausência de amplo contraditório durante o julgamento.
Em nota divulgada após a decisão, a defesa sustentou que a investigação teria origem considerada ilegal pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou acreditar na anulação da sentença. O grupo jurídico também alegou que o ex-governador não teve oportunidade plena de manifestação antes da conclusão do julgamento no STJ.
A ação penal investiga supostos desvios de recursos públicos por meio de contratos e licitações realizados no Acre desde 2019. Conforme o Ministério Público Federal (MPF), o esquema teria provocado prejuízos superiores a R$ 16 milhões aos cofres públicos, envolvendo especialmente contratos firmados com a empresa Murano Construções Ltda. para obras de engenharia viária e edificações.
Relatórios técnicos da Controladoria-Geral da União (CGU) reforçaram as acusações apresentadas durante as investigações, ampliando os valores estimados inicialmente pelo MPF.
Apesar da condenação, Gladson Cameli mantém discurso de inocência e atribui o processo a uma perseguição política motivada por interesses eleitorais. Nos bastidores, aliados afirmam que a expressão “tapetão” utilizada pelo ex-governador faz referência à tentativa de inviabilizar sua atuação política por meio de decisões judiciais.
O ex-governador havia renunciado ao cargo em abril deste ano para disputar uma vaga no Senado Federal nas eleições de outubro. Entretanto, eventual inelegibilidade dependerá do trânsito em julgado da condenação, quando não houver mais possibilidade de recurso.
O caso segue repercutindo nacionalmente e amplia o debate sobre responsabilidade administrativa, combate à corrupção e os impactos políticos de decisões judiciais envolvendo figuras públicas de destaque.