Economia Inadimplência
Mais de 100 mil famílias seguem endividadas no Acre, mas nº reduz pelo segundo mês seguido
Levantamento da Fecomércio-AC, publicado nessa terça (12) com base em dados de abril, aponta redução contínua desde fevereiro. Queda é de 0,54% em relação a março.
14/05/2026 12h03
Por: Redação Fonte: G1/Ac
Número de famílias endividados cai pelo terceiro mês seguido no Acre — Foto: Getty Images

Por Jhenyfer de Souza, g1 AC

Pelo segundo mês seguido, o número de famílias endividadas caiu 0,54% com relação a março no Acre. Segundo uma pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Acre (Fecomércio-AC), 107.877 grupos familiares estavam nessa situação no estado em abril.

Em março, 108.455 famílias estavam com algum tipo de dívida. Em números absolutos, a diminuição foi de 578 famílias.

Apesar da redução, mais da metade desse total ainda enfrenta dificuldades para manter as contas em dia. Conforme o levantamento, divulgado nessa terça-feira (12), 50.512 famílias acreanas estão com dívidas em atraso, o que representa 38,1% dos entrevistados.

A análise, feita com base em dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostra ainda que aumentou o número de famílias que afirmam não ter condições de quitar as dívidas.

De acordo com os dados, em março, eram 15.133 famílias nesta situação. Em abril, o número subiu para 15.397, alta de 0,2%.

O levantamento indica ainda uma mudança no comportamento do endividamento. Em janeiro, o Acre contabilizava 107.519 famílias com dívidas. Em fevereiro, o total chegou a 109.059maior índice do ano, antes de apresentar recuo em março.

Segundo a Fecomércio, o maior índice de endividamento continua concentrado entre famílias com renda de até três salários mínimos.

O cartão de crédito segue como principal responsável pelas dívidas, principalmente em compras parceladas de produtos de consumo do dia a dia.

O assessor da presidência da Fecomércio-AC, Egídio Garó, avalia que o cenário pode voltar a piorar nos próximos meses por causa da alta dos juros e do aumento no custo de vida.

“A taxa Selic ainda elevada, somada aos aumentos nos preços dos combustíveis e da energia elétrica, impacta diretamente o orçamento das famílias acreanas. Isso acaba pressionando o uso do crédito e pode elevar novamente o número de endividados”, explicou.

Cenário nacional

Enquanto o Acre apresentou redução nos indicadores, o cenário nacional segue em alta. Dados da CNC apontam que 80,9% das famílias brasileiras estavam endividadas em abril, totalizando cerca de 14,7 milhões de lares, o quarto aumento consecutivo registrado no país.

Desse total, 29,7% possuem contas em atraso e 12,3% afirmam que não terão condições de pagar as dívidas nos próximos meses.

Segundo a CNC, o avanço do endividamento ocorre em meio aos juros elevados e ao aumento no custo do crédito, fatores que continuam impactando principalmente as famílias de menor renda.