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“Ruas do Povo do PT”: programa marcado por promessas, obras inacabadas e uso político ainda repercute no Acre
Programa criado nas gestões petistas voltou ao debate após críticas sobre obras inacabadas, problemas estruturais e suposto uso político das pavimentações urbanas no Acre.
17/05/2026 09h29
Por: Redação
Foto: Reprodução/Google Imagens

Durante quase duas décadas de domínio político no Acre, o Partido dos Trabalhadores (PT) transformou o programa “Ruas do Povo” em uma das principais vitrines administrativas das gestões estaduais. Apresentado como solução para os problemas históricos de infraestrutura urbana, o projeto prometia pavimentação, drenagem e melhoria da mobilidade em diversos municípios acreanos. No entanto, ao longo dos anos, o programa passou a acumular críticas relacionadas à baixa qualidade das obras, serviços interrompidos e ruas que jamais chegaram a ser concluídas.

Em várias cidades do estado, moradores denunciaram que os trabalhos eram iniciados em períodos eleitorais, mas permaneciam incompletos após o encerramento das campanhas. Em muitos bairros, o asfalto se deteriorou rapidamente, enquanto outras localidades sequer receberam acabamento adequado, deixando comunidades convivendo com lama no inverno e poeira intensa no verão. Relatos semelhantes continuam sendo registrados em municípios acreanos, onde vias urbanas permanecem em condições precárias.

Críticos da antiga gestão afirmam que o “Ruas do Povo” acabou sendo utilizado como instrumento de capital político e fortalecimento eleitoral, especialmente em regiões periféricas e áreas de maior vulnerabilidade social. O termo “curral eleitoral” passou a ser frequentemente associado ao programa por opositores, que alegavam favorecimento político e execução seletiva de obras conforme interesses partidários.

Além das críticas locais, o debate ressurge em um contexto nacional de desgaste envolvendo sucessivos escândalos de corrupção atribuídos a integrantes e aliados históricos do PT. O partido esteve ligado a investigações de grande repercussão, como Mensalão, Petrolão e operações envolvendo contratos públicos e desvios milionários. Mais recentemente, o país voltou a discutir fraudes bilionárias relacionadas ao INSS, investigadas pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União, envolvendo descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas.

Especialistas apontam que programas públicos de infraestrutura precisam ser acompanhados por fiscalização rigorosa, transparência na aplicação dos recursos e planejamento técnico eficiente, evitando que obras se transformem apenas em instrumentos de marketing político. Estudos acadêmicos também demonstram que esquemas de corrupção em contratos públicos comprometem diretamente o desenvolvimento econômico e a qualidade dos serviços entregues à população.

Mesmo após o encerramento do ciclo petista no Acre, o legado do “Ruas do Povo” ainda divide opiniões. Enquanto apoiadores defendem que o programa levou pavimentação a áreas antes esquecidas, críticos sustentam que grande parte das intervenções ficou pela metade, gerando desperdício de recursos públicos e problemas estruturais que continuam afetando milhares de acreanos.