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Saúde da mulher exige abordagem integrada ao longo da vida

Cuidado envolve ações contínuas de prevenção, promoção e tratamento ao longo das diferentes fases. Dra. Bruna Ghetti, ginecologista, destaca acompa...

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
20/05/2026 às 12h22
Saúde da mulher exige abordagem integrada ao longo da vida
Imagem do Magnific/cookie_studio

O Ministério da Saúde (MS) define o cuidado em saúde da mulher como um conjunto de ações de prevenção, promoção, tratamento e recuperação que abrange saúde ginecológica, direitos sexuais e reprodutivos, saúde materna, saúde mental, dignidade menstrual e atenção ao climatério e à menopausa.

O climatério é a fase de transição que antecede a menopausa e inclui a perimenopausa, quando alterações hormonais podem afetar o ciclo menstrual e funções como sono e humor. Segundo a Sociedade Brasileira do Climatério (SOBRAC), esse processo começa a partir dos 40 anos, e em alguns casos aos 30.

A Dra. Bruna Ghetti, médica e ginecologista com atuação especializada no público feminino acima de 40 anos, explica que, a partir dos 35 anos, o corpo feminino entra em uma transição hormonal que se manifesta em camadas — ciclo menstrual irregular, sono fragmentado, fadiga que não resolve com descanso, oscilação de humor, queda da libido.

Somado a isso, pode estar a resistência à perda de peso — especificamente a gordura abdominal —, alterações na pele, queda capilar e, em muitas pacientes, sintomas íntimos como ressecamento e perda de firmeza vaginal. "São sinais sutis no início, mas eles têm um recado claro: o organismo está pedindo um novo cuidado, mais preciso e mais individualizado", acrescenta.

Um estudo analisou mudanças fisiológicas associadas à menopausa a partir do tempo da última menstruação e identificou alterações simultâneas em diferentes sistemas do organismo, com destaque para hormônios sexuais e impactos ósseos, metabólicos, hepáticos, inflamatórios e musculares. A pesquisa também conclui que alterações hormonais podem surgir mais de dez anos antes da menopausa.

Alterações hormonais

A irregularidade antes da queda dos hormônios, característica da perimenopausa, costuma passar despercebida por anos. "Estrogênio e progesterona deixam de seguir um ritmo previsível, o que repercute no ciclo, no humor, no sono e na saúde íntima", detalha Dra. Bruna Ghetti.

Segundo a médica, a testosterona, frequentemente esquecida na avaliação feminina, também declina, afetando disposição, desejo sexual e massa muscular. Além disso, o cortisol e a insulina se desregulam com estresse crônico e padrões alimentares inadequados. "A saúde hormonal não é um recorte ginecológico isolado, é medicina de longevidade feminina".

Ela ainda esclarece que algumas oscilações fazem parte da transição, mas, quando o sintoma começa a interferir na qualidade de vida — como sangramentos intensos ou prolongados, ausência menstrual fora de contexto, instabilidade emocional fora do habitual, queda acentuada de energia ou sintomas íntimos que afetam autoestima e relacionamento — exige atenção especializada.

"A investigação aprofundada separa o que é fisiológico do que merece intervenção. A ginecologia moderna tem uma abordagem de escuta atenta, leitura clínica refinada e estratégias desenhadas para cada mulher, naquele momento da vida. Não existe protocolo único. Cada paciente tem uma história, uma rotina, uma carga emocional, expectativas e prioridades próprias — e é a partir desse conjunto que o tratamento se constrói", afirma a médica.

Dados divulgados pela Bayer em 2025 mostram que 44% das mulheres com sintomas da menopausa não fazem tratamento. O levantamento indica ainda que metade das entrevistadas relata ter seus sintomas de saúde tratados como "exagero" ou "algo normal", percentual que chega a 65% entre mulheres em pré-menopausa. Entre as entrevistadas, 41% apontam familiares como origem dessa percepção e 38%, profissionais de saúde, índice que atinge 55% entre mulheres de 50 a 60 anos.

Para a especialista, após os 35 anos, o estilo de vida influencia o equilíbrio hormonal mais do que a maioria das mulheres imagina. A alimentação modula diretamente insulina e processos inflamatórios, que impactam todo o eixo hormonal. Já as noites mal dormidas desorganizam cortisol, hormônios sexuais e metabolismo em poucos dias.

"O movimento regular preserva massa muscular, melhora a sensibilidade à insulina e atua no humor de forma comparável a algumas medicações. Enquanto o sono é, talvez, o pilar mais subestimado. A boa notícia é que ajustes consistentes nesses pilares costumam trazer transformações significativas — e, em muitos casos, são eles que tornam qualquer tratamento hormonal ou íntimo ainda mais eficaz", informa a Dra. Bruna Ghetti.

As alterações hormonais estão diretamente ligadas ao sono, à alimentação, à saúde emocional, à vida íntima e à pele, e a abordagem integrada é o que faz o tratamento, de fato, funcionar. "Tratar um sintoma isolado, sem olhar para esse conjunto, é uma medicina incompleta. Um cuidado que integra ginecologia, hormônios e saúde íntima em uma mesma jornada é o que sustenta os resultados ao longo do tempo", conclui.

Para mais informações, basta acessar o site da Dra. Bruna Ghetti: https://drabrunaghetti.med.br/

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