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“Super El Niño”: como fenômeno extremo pode impactar saúde dos brasileiros

Probabilidade de aquecimento no Oceano Pacífico chega a 83% durante maio e junho

Redação
Por: Redação Fonte: CNN Brasil
23/05/2026 às 14h29
“Super El Niño”: como fenômeno extremo pode impactar saúde dos brasileiros
Animação da Temperatura da Superfície do Mar no Pacífico Tropical em 6 de maio de 2026, segundo o NOAA • NOAA

A chegada do El Niño pode ter impactos diretos na saúde dos brasileiros. O fenômeno, que se caracteriza pelo aumento das temperaturas no Oceano Pacífico, deve se desenvolver entre maio e junho e, de acordo com especialistas, será potencializado pelas condições climáticas do planeta. No Brasil, há uma grande seca nas regiões Norte e Nordeste e, simultaneamente, maior ocorrência de chuvas no Sul e Sudeste.

A última ocorrência do El Niño (2023 e 2024) levou as temperaturas globais a níveis recordes. A tendência é de que as projeções fiquem mais precisas ao longo das próximas semanas, conforme o aquecimento do Pacífico avance e o fenômeno seja oficialmente configurado.

Veja o que diz especialista sobre os principais efeitos para a saúde e como se proteger de altas temperaturas e da desidratação.

Ondas intensas de calor oferecem riscos cardiovasculares

As ondas intensas de calor promovem principalmente desidratação, perda não só de água, mas também de eletrólitos pelo suor mais intenso. A vasodilatação sistêmica e acentuada pode forçar o coração. É o que explica Luiz Aparecido Bortolotto, médico cardiologista e diretor da Unidade de Hipertensão do InCor-HCFMUSP: "Pessoas com condições cardíacas pré-existentes, como hipertensão ou histórico de infarto, correm mais riscos neste cenário de altas temperaturas", explica.

"Há maior chance de arritmias pela perda de eletrólitos e por conta de alterações no fluxo sanguíneo", complementa o médico. "O sangue fica mais viscoso, aumentando a probabilidade de formação de coágulos e de quadros como acidentes vasculares cerebrais (AVC) ou infartos".

Ele acrescenta que as altas temperaturas também podem provocar quedas de pressão arterial. O quadro pode provocar desmaios e colocar em risco, principalmente, idosos. "A hidratação nesses períodos é muito importante para evitar essas complicações", alerta Bortolotto.

Calor intenso e chuvas são favoráveis à circulação de doenças

O especialista explica que as altas temperaturas e o clima úmido tornam o ambiente favorável à proliferação de algumas doenças, sobretudo as arboviroses, transmitidas por mosquitos como o Aedes aegypti. Casos de dengue e chikungunya podem aumentar no período e, portanto, é indispensável a adoção de medidas preventivas tanto pelas autoridades quanto pela população.

"Em algumas regiões mais propensas, também há risco de circulação da malária; os mosquitos podem também circular mais. Então, tomar esses cuidados", pontua o médico. O mosquito Anopheles cruzii é o principal vetor da malária e vive em áreas de Mata Atlântica.

As doenças respiratórias também podem surgir de forma mais intensa durante esse período. Bronquiolite, asma e disseminação de doenças infecciosas como influenza são potencializadas pela qualidade do ar, alterada devido às condições climáticas adversas.

Principais medidas para se proteger dos efeitos das altas temperaturas

O médico ressalta que algumas medidas podem ser adotadas não só no período de ocorrência do El Niño, mas para atenuar os efeitos de qualquer fenômeno climático adverso. Ele cita a maior disponibilidade de áreas verdes para manter um ambiente mais fresco e a disponibilização por parte do governo de fontes de água potável em pontos estratégicos.

"Essas medidas devem ser adotadas a longo prazo, mantendo continuamente uma irrigação adequada para as regiões que são mais sujeitas à estiagem", defende ele. "Quando há maior estiagem, há também um aumento da poluição. Portanto, é preciso orientar as pessoas a evitar a saída e a exposição em períodos do dia com temperaturas mais altas", explica.

 

 

 

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