O delinquente seria condenado a 351 anos de cadeia por múltiplos homicídios, assaltos e estupros. Ele passaria 30 anos preso, até o dia 16 de agosto de 1997. Mas não viveu muito tempo em liberdade. Foi morto com um tiro no rosto meses após deixar a penitenciária, em janeiro de 1998, há 25 anos.
No município litorâneo, João Acácio passou a levar uma vida de regalias e festas sustentadas pelos roubos que cometia em São Paulo. Invadia casas de gente rica, pegava dinheiro, joias e outros objetos de valor e voltava para Santos, onde morava em um bom apartamento e gastava muito com mulheres, roupas e bebida. Com o tempo, seu apelido ganhou destaque no noticiário policial. No começo, era chamado de "homem-macaco" por usar um macaco mecânico para quebrar janelas de casas e carros. Depois, ficou conhecido como o "bandido da luz vermelha", por causa da lanterna que usava.
Identificado por meio da análise de fragmentos de impressões digitais deixadas nos locais de seus crimes, o bandido foi capturado e confessou quatro assassinatos. Valter Bedran, de 20 anos, levou um tiro na cabeça quando empunhou uma espingarda para reagir à invasão da casa onde morava com os pais. José Enéas da Costa morreu, também com disparos, depois de discutir com Acácio num bar. O empresário Jean von Christian Szaraspatack, de 44 anos, flagrou "luz vermelha" no corredor de sua casa e, armado, tentou render o bandido, mas foi alvejado pelo criminoso, no Jardim América.
Talvez o assalto mais violento tenha ocorrido quando João Acácio invadiu uma mansão no Ipiranga, em 6 de julho de 1967, um mês depois da morte de Szaraspatack. A residência pertencia ao influente criminalista Elias Assad, que estava ausente. Durante o roubo, o bandido tentou estuprar Ingrid Yazbek Assad, filha do advogado, de 22 anos. Quando a moça reagiu, o agressor revidou com um disparo que por um centímetro não acertou o coração da vítima. Mesmo se esvaindo em sangue, a jovem ainda foi usada por Acácio para se proteger do vigia José Fortunato, que acabou morto por um tiro.
"Eu era bobo e tinha orgulho de usar a violência", disse o bandido numa entrevista ao GLOBO publicada em novembro de 1995, 18 meses antes de ele sair da prisão, na Casa de Custódia de Taubaté, depois de passar por internações em diferetes manicômios, devido a problemas mentais. "Mas me regenerei e hoje acho isso uma grande besteira que tomou minha liberdade por todos esses anos. Agora, me alegra viver como um santo. Digo sempre aos mais jovens: o crime não compensa".
Após deixar a cadeia, em 17 de agosto de 1997, aos 55 anos, João Acácio viveu meses turbulentos antes de morrer. Ao voltar para Joinville, onde tentou se reconectar com sua família, brigou com todos os parentes, não conseguiu emprego e encontrou abrigo na casa de um amigo pescador. Mas brigou com a família dele também e chegou a ficar internado em um instituto psiquiátrico. No dia 5 de janeiro de 1998, foi morto pelo próprio pescador com um disparo de espingarda no rosto. Segundo o autor do tiro, aquela foi a maneira de impedir que Acácio esfaqueasse o seu irmão.
"Era o João Acácio ou a minha família. Estávamos cansados de ameaças, e a minha única reação foi matá-lo quando vi meu irmão em perigo. Ele já tinha dito que me mataria", contou Nelson Pizenghuer, cujo relato foi confirmado pelo seu irmão, Lírio Pincegher: ""Acácio chegou xingando minha mãe, minha irmã, todo mundo e dizendo que ia matar alguém, ameaçando as crianças. Quando fui conversar, ele se propôs a fazer as pazes. Estendeu a mão direita e, com a esquerda, puxou uma faca. Foi aí que o Nelson, atrás de mim, atirou", descreveu a testemunha da morte do bandido da luz vermelha.