
Há cenas que rasgam a alma até dos policiais mais experientes. Na madrugada deste domingo (05/07/2026), em Cataguases, na Zona da Mata de Minas Gerais, o cenário encontrado dentro de uma residência ultrapassou os limites da dor.
Karen Aparecida Ferreira Rosa, de 44 anos, estava caída na sala de casa, sem vida. Sobre o seu corpo, alheia à brutalidade do mundo dos adultos, sua filha de apenas um ano tentava mamar no peito da mãe. Em um quarto ao lado, o outro filho do casal, de dois anos, dormia um sono profundo.
Karen teve sua vida ceifada por asfixia e estrangulamento. O principal suspeito é o próprio marido, João Vitor Silva Coleta da Matta, de 41 anos.
O rastro de covardia não parou no ato em si. Logo após o crime, o homem ligou para a própria irmã, pediu que ela fosse até o imóvel e fugiu na escuridão da noite. Ele foi localizado e preso pela Polícia Militar horas depois.
Na delegacia, embora tenha admitido a autoria do crime em um primeiro momento, optou pelo direito constitucional ao silêncio durante o depoimento oficial.
Por trás dessa tragédia, havia um ciclo de violência que infelizmente se repetiu. A união de quatro anos era marcada por turbulências e agressões.
Em setembro de 2023, João Vitor já havia sido preso em flagrante após agredir Karen com cabeçadas.
Medidas protetivas chegaram a ser emitidas pela Justiça, mas foram revogadas a pedido da própria vítima, que cedia às insistências do companheiro na tentativa de manter a família unida.
Segundo familiares, Karen tentou romper o relacionamento diversas vezes, mas o ciclo de abuso sempre encontrava uma forma de se fechar novamente.
Mulher dedicada, ela deixa sete filhos e seis netos.
As duas crianças pequenas que presenciaram o horror daquela madrugada agora estão sob os cuidados dos parentes, carregando uma ausência que tempo nenhum será capaz de preencher.
João Vitor teve sua prisão em flagrante convertida e foi encaminhado ao sistema prisional. A Polícia Civil segue investigando os detalhes e a motivação do crime.