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O monstruoso caso do homem que fazia propaganda volante para lojas e comércios em Plácido de Castro e era foragido da Justiça, acusado de envolvimento em chacina

Suspeito utilizava motocicleta com sistema de som para divulgar ofertas de lojas e estabelecimentos comerciais na cidade; ele era procurado pela Justiça de Mato Grosso há quase duas décadas.

Redação
Por: Redação
10/07/2026 às 19h18 Atualizada em 10/07/2026 às 19h44
O monstruoso caso do homem que fazia propaganda volante para lojas e comércios em Plácido de Castro e era foragido da Justiça, acusado de envolvimento em chacina
Foragido da Justiça que viveu em Plácido de Castro foi condenado por participação em uma das chacinas mais violentas de Mato Grosso - Foto: Arquivo.

FARÇA

Conhecido por muitos moradores de Plácido de Castro por trabalhar com publicidade volante, anunciando promoções de supermercados, varejistas e lojas de eletrodomésticos em uma motocicleta equipada com sistema de som, J. J. Q., de 58 anos, escondia um passado ligado a um dos crimes mais brutais registrados em Mato Grosso.

Em Plácido de Castro, ele residiu por muitos anos no bairro Frei Peregrino, onde era bastante conhecido pela população. À época da prisão, vizinhos relataram que J. J. era visto como uma pessoa tranquila, trabalhadora e de hábitos discretos. De acordo com relatos, ele transmitia a imagem de alguém de princípios cristãos, sem envolvimento em confusões ou ocorrências policiais na cidade.

Ainda segundo moradores, era raro vê-lo frequentando festas ou consumindo bebidas alcoólicas. Sua rotina era praticamente dedicada ao trabalho. Utilizando uma motocicleta acoplada a uma pequena carrocinha equipada com caixas de som, percorria diariamente as ruas do município realizando publicidade volante para diversos estabelecimentos comerciais.

Entre os clientes mais conhecidos estavam lojas de eletrodomésticos, comércios varejistas e empresas tradicionais da cidade, incluindo campanhas promocionais para a Gazin, Lojas Romera e outros estabelecimentos locais. A notícia de que o divulgador era procurado pela Justiça por participação em uma chacina ocorrida em Mato Grosso surpreendeu moradores que conviveram com ele durante anos e desconheciam seu histórico criminal.

POLICIAL

Após permanecer foragido por cerca de 18 anos, ele foi localizado no Acre pelas forças de segurança. Segundo as investigações, J. J. que escondia um passado ligado a um dos crimes mais brutais registrados em Mato Grosso, passou por municípios como Brasiléia e Plácido de Castro antes de ser encontrado em Rio Branco.

INVESTIGAÇÃO

As apurações foram conduzidas pelo Núcleo de Inteligência da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá, com apoio da Polícia Civil do Acre. O trabalho investigativo permitiu identificar o paradeiro do foragido, que era considerado um dos últimos envolvidos na chamada “Chacina da Fazenda São João”.

O crime ocorreu em março de 2004, em uma propriedade rural ligada ao ex-bicheiro João Arcanjo, no município de Várzea Grande, Mato Grosso. Conforme o inquérito, as vítimas Areli Manoel de Oliveira, Itamar Batista Barcelos, José Ferreira de Almeida e Pedro Francisco da Silva entraram na fazenda para pescar em uma represa de piscicultura e acabaram sendo surpreendidas por funcionários da propriedade.

As investigações apontaram que uma das vítimas foi morta a tiros, enquanto as demais foram amarradas e lançadas na água ainda vivas. A polícia concluiu que os homens demoraram cerca de 20 minutos para morrer por afogamento. Posteriormente, os corpos foram abandonados em diferentes pontos próximos à Estrada do Capão das Antas para dificultar as investigações.

PRISÃO

Após anos de buscas, J. J. foi encontrado no Acre. Durante a abordagem policial, ele teria tentado ocultar sua identidade utilizando documentos falsificados. A prisão foi resultado de um trabalho conjunto entre as polícias civis de Mato Grosso e do Acre.

Além de J. J., também foram presos Aderval José dos Santos, Édio Gomes Júnior, Noreci Ferreira Gomes e Valdinei Luiz Ademias da Silva. Outro investigado, identificado como Alderi de Souza Ferreira, permanecia foragido conforme informações do processo.

JUSTIÇA

De acordo com a Justiça mato-grossense, J. J. foi condenado a 46 anos de prisão. A sentença destacou a crueldade empregada nos assassinatos, além da impossibilidade de defesa das vítimas.

As investigações apontaram que J. J. exercia a função de gerente da fazenda e teria utilizado sua posição para determinar a participação de subordinados nos crimes. Entre os agravantes considerados pela Justiça estão o motivo fútil, o emprego de meio cruel, o recurso que dificultou a defesa das vítimas e a prática dos homicídios para assegurar a impunidade de outros delitos.

Em um dos trechos da decisão judicial, o magistrado destacou a gravidade dos fatos ao fixar a pena definitiva em 46 anos de reclusão. Com a prisão do condenado, as autoridades deram mais um passo na responsabilização dos envolvidos em um dos casos criminais de maior repercussão da história recente de Mato Grosso.

Durante o período em que viveu em Plácido de Castro, J. J. era conhecido por prestar serviços de divulgação comercial pelas ruas da cidade. A descoberta de seu histórico criminal surpreendeu moradores que conviviam com sua rotina de anúncios e propagandas.

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