Uma grave denúncia envolvendo o atendimento de urgência em Plácido de Castro ganhou repercussão após um morador afirmar ter sido deixado sem assistência médica mesmo apresentando ferimentos causados por disparo de arma de fogo.
O caso envolve Onofre Lopes Ferreira Júnior, de 36 anos, que sofreu um acidente com uma espingarda na tarde do último dia 8, enquanto pescava no Rio Rapirrã, conhecido popularmente como Rio das Pérolas, localizado na região do Ramal dos Inocentes, zona rural do município.
Segundo relato da própria vítima, a arma teria disparado acidentalmente, atingindo seu braço e sua perna esquerda. Os projéteis atravessaram os membros, provocando múltiplas perfurações e intensa perda de sangue.
No entanto, mais do que os ferimentos, o que tem causado indignação é a denúncia feita por Onofre nas redes sociais. De acordo com ele, ao buscar ajuda, teria recebido uma negativa de atendimento por parte do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
“O SAMU me negou ajuda mesmo vendo eu repleto de sangue e com várias perfurações. Se eu não tivesse meu próprio carro, teria morrido”, afirmou.
Ainda conforme o relato, diante da suposta recusa, ele precisou se deslocar por conta própria até o Hospital Manoel Marinho Monte. O trajeto teria sido realizado com a ajuda de um conhecido que, segundo a vítima, sequer possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e não tinha experiência na condução de veículos.
“Deus usou um homem que nunca dirigiu. Ele me disse que não tinha habilitação, mas eu estava agonizando e pedi para que me levasse”, declarou.
Onofre também afirma que, durante o percurso em busca de atendimento médico, o veículo acabou se envolvendo em um pequeno acidente de trânsito, situação que, segundo ele, agravou ainda mais o cenário de risco enfrentado enquanto lutava para receber assistência.
Após chegar ao Hospital Manoel Marinho Monte, os profissionais da unidade avaliaram a gravidade das lesões e determinaram sua transferência para o Pronto-Socorro de Rio Branco, onde recebeu atendimento especializado.
Informações médicas apontam que o paciente chegou à capital em estado estável, apesar dos ferimentos sofridos.
Nas publicações feitas após o ocorrido, Onofre voltou a criticar o serviço de emergência local e afirmou possuir testemunhas capazes de confirmar sua versão dos fatos.
“Tenho testemunhas. Caso achem que estou mentindo, tenho Deus comigo. A farda que eu acho mais linda do mundo me negou ajuda mesmo vendo meu estado”, escreveu.
O trabalhador também declarou que atua como freteiro e que, ao longo dos anos, já teria transportado diversas pessoas em situações de emergência.
“Só para o hospital de Plácido já levei mais de 20 vítimas. Todos alegando que o SAMU não vai”, afirmou.
Paralelamente à denúncia sobre o atendimento médico, as circunstâncias do disparo acidental deverão ser apuradas pela Polícia Civil, que investigará a dinâmica do incidente ocorrido na zona rural.
Enquanto isso, o episódio reacende o debate sobre a eficiência do atendimento pré-hospitalar em municípios do interior e a necessidade de respostas rápidas em situações onde minutos podem representar a diferença entre a vida e a morte.
O outro lado
A reportagem reforça que as declarações apresentadas nesta matéria refletem exclusivamente os relatos da própria vítima. Em respeito aos princípios da imparcialidade e da ampla defesa, o espaço permanece aberto para manifestação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), da coordenação regional do serviço, da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) e de quaisquer outros representantes ou autoridades competentes que desejem apresentar esclarecimentos, informações complementares ou contrapontos sobre os fatos narrados.