Atualmente em exercício no Município de Tarauacá, o Defensor Público Bruno Fontinele está de passagem por Plácido de Castro e celebra seu aniversário na terra que o viu crescer.
Em meio a tantas alegrias e à divulgação de importantes aprovações conquistadas por grandes placidianos, não é por acaso que hoje anuncio: Bruno da Silva Fontinele está em Plácido de Castro.
O placidiano raiz veio em viagem de Tarauacá, município onde exerce suas funções desde 10 de fevereiro de 2025, após tomar posse e ser removido para lá no cargo de Defensor Público do Estado do Acre.
E sua presença entre nós ocorre em uma data especialmente feliz: hoje é aniversário de Bruno.
Sua história rica e inspiradora já foi contada por nós. Nesta ocasião, recupero alguns de seus trechos mais marcantes para que possamos compreender por que celebrar sua vida também significa celebrar a força transformadora da educação, da leitura e da perseverança.
Bruno realizou quase toda a sua formação escolar em Plácido de Castro. Cresceu numa realidade muito diferente da atual, quando o acesso à internet, aos computadores e às informações era bastante limitado. Sua primeira professora, Rosalice, na Escola Franklin Roosevelt, plantou nele a semente do amor pelo conhecimento. Naquela época, seu grande sonho era ser professor.
Aos 16 anos, começou a trabalhar no caixa de um mercado local. Na verdade, como ele próprio recorda, fazia de tudo um pouco. Mais tarde, para cursar Direito, precisou deslocar-se diariamente até Rio Branco: trabalhava durante todo o dia e estudava à noite.
Antes de ingressar na Defensoria Pública, Bruno foi servidor do Tribunal de Justiça do Estado do Acre, trabalhando aqui mesmo, na Comarca de Plácido de Castro. Foi na assessoria da Vara Única que aprendeu a enxergar cada processo não como um simples número, mas como uma história humana — uma pessoa enfrentando dificuldades reais e procurando a Justiça em busca de uma resposta.
Foi também dentro do fórum que ocorreu um encontro decisivo. Ao ver a defensora pública Juliana Marques e perguntar a uma amiga quem era aquela profissional, Bruno conheceu melhor a missão da Defensoria Pública.
Naquele momento, o sonho de ser professor começou a se transformar no sonho de ser Defensor Público.
Entretanto, há em sua trajetória outro encontro que jamais poderia ficar fora desta homenagem.
Enquanto ajudava um amigo numa mudança, Bruno encontrou um livro colocado de lado para descarte, aguardando a passagem da coleta. Era um exemplar de “Nunca desista dos seus sonhos”, de Augusto Cury.
Algo o fez retirar o livro dali.
Anos depois, já às vésperas de iniciar uma nova etapa de sua vida, Bruno segurou aquele exemplar visivelmente marcado pelo tempo — com páginas amareladas e bordas desgastadas — e revelou:
“Foi muito mais que uma leitura casual. Foi um encontro com o destino. Estava ajudando um amigo numa mudança quando o encontrei de lado para descarte, aguardando a coleta passar. Algo me fez resgatá-lo, e ele acabou me resgatando também.”
E completou:
“Suas páginas não apenas abriram minha mente — elas redesenharam meus horizontes. Foi nessas palavras que encontrei coragem para acreditar que meus sonhos não eram grandes demais, que eu não era pequeno demais para eles.”
Talvez poucas imagens traduzam tão bem sua caminhada.
Um livro que alguém já não desejava conservar encontrou as mãos de um jovem que precisava exatamente daquelas palavras. Bruno salvou o livro do descarte; e o livro ajudou Bruno a não descartar os próprios sonhos.
Depois vieram anos de preparação, noites em claro, fins de semana dedicados aos estudos e concursos realizados no Acre, em Rondônia, no Amazonas e no Distrito Federal. Houve aprovações, nomeações, frustrações e recomeços. A vida de concurseiro, como ele reconhece, é muitas vezes solitária. Mas a fé e a persistência permaneceram.
Até que chegou a aprovação para a Defensoria Pública do Estado do Acre.
Entre centenas de candidatos de todo o Brasil, Bruno foi classificado dentro das vagas. Tornou-se o único acreano entre os onze defensores nomeados e empossados naquela ocasião e o primeiro placidiano a conquistar esse honrado e desafiador cargo.
Depois da posse, foi removido para Tarauacá, onde atua desde 10 de fevereiro de 2025. Assim, o menino que estudou nas escolas de Plácido de Castro, trabalhou no comércio local, enfrentou diariamente a estrada para cursar Direito e serviu ao Tribunal de Justiça em nossa comarca passou a dedicar sua vida à defesa daqueles que mais necessitam do amparo do Estado.
Bruno saiu de Plácido de Castro para a Defensoria Pública, mas não deixou esta terra para trás. Levou consigo a educação recebida, a experiência adquirida em nossa comarca, o apoio de sua família, as palavras dos professores, as lembranças da infância e aquele velho livro resgatado de uma mudança.
Sua presença hoje entre nós possui, portanto, um significado especial. O homem retorna por alguns dias ao lugar de onde partiu; e a cidade contempla, nele, tudo aquilo que o menino conseguiu alcançar.
Esta homenagem nasce também de uma alegria que faço questão de dividir com toda a nossa população: celebrar cada conquista dos placidianos e de todos os profissionais e moradores que engrandecem nossa cidade.
Temos pessoas daqui conquistando aprovações importantes em praticamente todos os ramos. Cada vitória merece ser anunciada. O sucesso de um filho desta terra não diminui o brilho de nenhum outro; ao contrário, aumenta a esperança de todos e mostra às novas gerações que também é possível chegar.
Hoje, entretanto, o abraço é especialmente de Bruno.
Feliz aniversário, Bruno Fontinele!
Que Deus lhe conceda saúde, sabedoria, coragem e muitos anos de vida para continuar fazendo da Defensoria Pública uma porta aberta àqueles que tantas vezes encontram todas as demais fechadas.
Parabéns ao placidiano raiz, ao antigo servidor do Tribunal de Justiça em nossa comarca e ao atual Defensor Público do Estado do Acre.
Parabéns ao nosso menino doutor do Abunã — doutor no Direito e defensor da dignidade humana.
Plácido de Castro celebra sua vida, orgulha-se de sua caminhada e se alegra por recebê-lo novamente em casa.