Polícia Abordagem contestada
Mãe denuncia supostas agressões contra adolescente durante abordagem policial em Plácido de Castro; caso é levado ao MPAC
Boletim de Ocorrência e Termo de Informação relatam supostas agressões, ameaças e constrangimento durante uma abordagem da Polícia Militar. Segundo a família, dois adolescentes de 17 anos teriam sido obrigados a gravar um vídeo diante da viatura. O caso deverá ser apurado pelos órgãos competentes.
30/07/2026 18h37 Atualizada há 2 meses
Por: Redação
Adolescentes foram fotografados em frente a uma viatura da Polícia Militar antes da suposta abordagem violenta - Foto cedida.

Uma denúncia formal registrada na Delegacia de Polícia Civil de Plácido de Castro e posteriormente encaminhada ao Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) relata uma suposta ação violenta envolvendo dois adolescentes de 17 anos durante uma abordagem realizada por uma guarnição da Polícia Militar. A denúncia foi apresentada por R. G. P., mãe do adolescente J. L. G., que solicita a apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, caso as acusações sejam confirmadas.

Conforme consta no Boletim de Ocorrência nº 00064359/2026-A02, registrado em 30 de julho de 2026, R. G. P. informou que seu filho, J. L. G., de 17 anos, teria sido abordado por volta das 21h20, de quarta-feira, 29 de julho, na Rua Olímpio da Silva Gomes, nas proximidades do cemitério. Segundo o relato, durante a ocorrência o adolescente teria sido agredido fisicamente por um policial militar identificado apenas pelas iniciais S. M. O., conforme consta nos documentos.

No Termo de Informação apresentado ao MPAC, às 10h51, a mãe reforçou as acusações. Ela afirma que J. L. G. sofreu socos, chutes e teve a cabeça batida contra a viatura, além de relatar que o policial teria feito ameaças relacionadas a outro filho da família, que atualmente responde a processo criminal e encontra-se preso. A mulher declarou ainda possuir fotografias e vídeos que, segundo ela, comprovariam as lesões e a abordagem denunciada.

De acordo com R. G. P., durante a ação policial, J. L. G. e outro adolescente de 17 anos, identificado pelas iniciais W. S. S., teriam sido obrigados a gravar um vídeo em frente à viatura. Segundo a denúncia, os policiais determinaram que ambos afirmassem ser "dois emocionados", que uma suposta organização criminosa "não oferecia nada de bom para ninguém" e que "quem mandava em Plácido de Castro era a Polícia Militar".

Informações obtidas apontam que os dois adolescentes teriam sido inicialmente abordados após serem flagrados fotografando uma viatura da Polícia Militar e fazendo gestos associados, segundo a versão policial, a uma organização criminosa que atua na região do Baixo Acre.

Imagens às quais a reportagem teve acesso mostram J. L. G. com ferimentos no rosto compatíveis, em aparência, com lesões decorrentes de impacto físico. A origem das lesões, entretanto, deverá ser esclarecida pelas autoridades responsáveis pela investigação.

A reportagem procurou o comando da Polícia Militar em Plácido de Castro para obter um posicionamento oficial, mas foi informada de que ele se encontrava em Rio Branco. O espaço permanece aberto para manifestação da Polícia Militar e dos agentes citados, em respeito ao contraditório e à ampla defesa.