O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) aprovou o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura do milho consorciado com braquiária — referente à segunda safra no estado do Acre para o ciclo 2026/2027. A medida foi oficializada por meio da Portaria SPA/MAPA nº 334, assinada pelo secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos Júnior, e publicada no Diário Oficial da União (DOU). O documento estabelece os critérios técnicos para o plantio, visando minimizar as perdas decorrentes de fenômenos meteorológicos adversos.
A resolução detalha as condições ideais para o cultivo do cereal em conjunto com a forrageira no território acreano, classificando os riscos climáticos em níveis de 20%, 30% e 40%. O Zarc é uma ferramenta fundamental para a gestão de riscos na agricultura, pois orienta os produtores sobre as melhores épocas de semeadura, levando em conta o tipo de solo e o ciclo das cultivares. Além disso, a observância das diretrizes do zoneamento é, frequentemente, um pré-requisito para o acesso ao crédito rural e ao seguro agrícola.
Conforme as informações técnicas disponibilizadas no anexo da portaria, o consórcio do milho (Zea mays L.) com a braquiária é uma estratégia agronômica que permite o uso eficiente da terra em diferentes momentos do ano. Enquanto o milho é colhido para grãos, a braquiária — uma planta forrageira perene (que vive por mais de dois anos) — permanece no solo, servindo tanto para o pasto bovino quanto para a formação de palhada, essencial no sistema de plantio direto.
Este modelo de produção é possível devido ao diferencial de tempo e espaço no acúmulo de biomassa entre as duas espécies. A integração ajuda na proteção do solo contra a erosão e melhora a retenção de umidade, fatores críticos para a sustentabilidade da produção no Norte do país. Em algumas situações, caso o crescimento da braquiária ameace o desenvolvimento do milho, o documento recomenda o uso de técnicas de manejo para equilibrar a competição entre as plantas.
O desenvolvimento ideal da lavoura de milho exige atenção às variações térmicas. Segundo o levantamento do governo federal, a temperatura diurna ideal para a planta situa-se entre 30 °C e 33 °C. Noites quentes, com temperaturas superiores a 24 °C, são consideradas prejudiciais ao enchimento dos grãos. O estudo também aponta que a altitude influencia diretamente nos processos fisiológicos, sendo que em regiões acima de 700 metros, os ciclos costumam ser mais longos e produtivos.
Para o cálculo do risco hídrico, o Mapa utiliza o modelo SARRA (sistema de análise regional de riscos agroclimáticos), que avalia o Índice de Satisfação da Necessidade de Água para a cultura (ISNA). O ISNA é a relação entre a evapotranspiração real da cultura — a perda de água pelo solo e pela planta — e a evapotranspiração máxima permitida. O objetivo é evitar que a deficiência de água prejudique as fases críticas, como a germinação e o florescimento.
A base de dados utilizada pelo Zarc no Acre compreende séries meteorológicas de 30 anos, entre 1992 e 2022. Os dados foram coletados em redes operadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe).
As cultivares de milho foram divididas em dois grandes grupos:
O zoneamento também define seis classes de solos (AD1 a AD6), baseadas na capacidade de armazenamento de água disponível. Áreas de preservação permanente, solos com profundidade inferior a 50 centímetros ou terrenos excessivamente pedregosos não são indicados para o cultivo.
Os produtores acreanos podem verificar a lista completa de municípios aptos e os calendários de plantio por meio do Painel de Indicação de Riscos do Zarc ou pelo aplicativo Plantio Certo, disponível para dispositivos móveis. O Mapa reforça que, embora o zoneamento forneça diretrizes precisas, o sucesso da safra depende do manejo agronômico adequado, incluindo o controle de pragas, doenças e a fertilidade do solo.