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Madrasta suspeita de obrigar enteada a ingerir soda cáustica é indiciada por tentativa de homicídio no AC

Pai da criança também foi indiciado por maus-tratos e abandono de incapaz. Polícia Civil concluiu e enviou o inquérito para o Poder Judiciário.

Redação
Por: Redação Fonte: G1/Ac
11/08/2026 às 15h38 Atualizada em 11/08/2026 às 15h48
Madrasta suspeita de obrigar enteada a ingerir soda cáustica é indiciada por tentativa de homicídio no AC
Reprodução/Ac24Horas.

A madrasta e o pai da menina que ingeriu soda cáudista e passou mais de 10 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em Rio Branco, foram indiciados pela Polícia Civil e o inquérito enviado para o Pode Judiciário. A mulher deve responder por tentativa de homicídio e maus-tratos, enquanto o pai por maus-tratos e abandono de incapaz.

As informações foram confirmados ao g1 nesta terça-feira (11) pela Polícia Civil. A reportagem tentou contato com a defesa da mulher, contudo, não obteve retorno até a última atualização desta matéria.

Contexto: A menina foi internada no dia 3 de julho após a suspeita de ingerir soda cáustica em uma casa no bairro Apolônio Sales. A Polícia Civil investiga a denúncia de que a madrasta teria obrigado a criança a ingerir a substância. A madrasta foi presa preventivamente e o pai da criança segue foragido. O caso está sob segredo de Justiça.

A menina celebrou o aniversário de 12 anos na última sexta-feira (7) no hospital e no domingo (9) recebeu alta médica do Hospital da Criança de Rio Branco. Ela foi para casa da pastora Regiane Maciel, onde segue em recuperação e tomando medicação.

Pelas redes sociais, a pastora avisou que a criança precisa de ajuda financeira para comprar parte da medicação que deve tomar e também para comprar as passagens para ir embora com a mãe.

Conforme a religiosa, a menina vai embora para o interior do Amazonas. A mãe da criança veio para o Acre após ficar sabendo o que houve com a filha e conseguiu a guarda dela.

Madrasta se entregou

A madrasta da menina se apresentou à polícia, acompanhada de um advogado, no dia 14 de julho. O advogado dela, Valber Fontinele, afirmou que a cliente nega o crime. Segundo a defesa, a mulher está grávida de quatro meses e tem um filho que amamenta.

Além da madrasta, o pai da menina também teve a prisão preventiva decretada pelos supostos crimes de tentativa de homicídio qualificado e maus-tratos. Ele segue foragido.

"Conforme os documentos juntados, ela também geriu soda cáustica. Eu quero ver agora a proteção também da mulher, porque a lei defende a criança e defende a mulher em situação de vulnerabilidade. Não no tocante à questão criminal, mas sim pela qualidade de mulher vulnerável, grávida que amamenta e também é vítima de violência", disse.

Além da investigação da polícia, o Ministério Público do Acre (MP-AC) instaurou uma notícia de fato para acompanhar o caso.

O órgão solicitou perícia no produto químico que pode ter sido ingerido pela criança e nas lesões sofridas, além de acompanhar as medidas protetivas adotadas pelo Conselho Tutelar. O procedimento apura a possível prática de crimes como tentativa de homicídio, tortura e maus-tratos.

O MP-AC aponta que os crimes teriam sido cometidos por meio cruel e no contexto de violência doméstica e familiar contra a criança, além de maus-tratos majorado pela idade da vítima.

A Justiça considerou, entre os fundamentos da decisão, a vulnerabilidade da menina, a necessidade de garantir a instrução criminal e o risco de reiteração das condutas. No caso do pai, a decisão também levou em conta indícios de fuga.

Mãe de menina internada após suspeita de ingerir soda cáustica diz que sofreu violência e ficou mais de oito anos sem ver a filha — Foto: Rede AmazônicaMãe de menina internada após suspeita de ingerir soda cáustica diz que sofreu violência e ficou mais de oito anos sem ver a filha — Foto: Rede Amazônica

Violência doméstica

Em entrevista à Rede Amazônica Acre, a mãe da menina afirmou que sofreu violência doméstica durante o relacionamento com o pai da criança e que, por este motivo, foi impedida de conviver com a filha por mais de oito anos.

A mulher, que não foi identificada na reportagem, contou que teve contato pessoal com a menina somente até os 3 anos de idade. Ela mora na zona rural de Boca do Acre (AM) e chegou à capital no último dia 7 para prestar depoimento e acompanhar a recuperação da filha.

Segundo ela, quando chegou ao hospital, a equipe médica confirmou que a menina ingeriu soda cáustica e orientou que evitasse perguntas sobre o caso para não causar sofrimento à criança durante a recuperação.

"Quando eu entrei, a médica falou que tinha uma surpresa para ela. Quando ela olhou para mim, me reconheceu. Ela começou a chorar e eu também. Eu só falei que estava do lado dela, que ela tinha uma mãe e que não ia abandonar ela", disse.

*Com informações do G1/Ac

 

 

 

 

 

 

 

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