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PF: Lulinha é citado como “destinatário de pagamentos” de empresário

Em conversa com empresário, lobista amiga de Lulinha também diz que envolveu o “palácio” em negociações

Redação
Por: Redação Fonte: CNN Brasil
21/08/2026 às 18h55
PF: Lulinha é citado como “destinatário de pagamentos” de empresário
Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) • ALEX SILVA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

A Polícia Federal afirma em relatório enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal) que Fábio Luís Lula da Silva é citado como “destinatário de pagamentos e benefícios” em conversas entre a lobista Roberta Luchsinger e o empresário Cleber Ribas.

A informação está no inquérito que apura possível atuação do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na intermediação de contratos para a empresa de Ribas, a 3Structure It LTDA, junto à Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência). Em um dos diálogos, Luchsinger diz que havia envolvido o “palácio” em negociações.

Os advogados de Lulinha e Ribas negam qualquer irregularidade. A defesa de Luchsinger não respondeu à reportagem.

A suspeita da PF é que a lobista tenha sido contratada pelo empresário para abrir portas perante o governo federal e que tenha contado com a ajuda de Lulinha em busca de contratos. Na quebra de sigilo telemático da lobista, a PF encontrou conversas em que ela solicita pagamentos a Ribas que serviriam para custear despesas do primogênito do chefe do Executivo.

As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas pela CNN Brasil.

“Fabio surge em diversos momentos associado a reuniões de interesse empresarial, é mencionado como destinatário de pagamentos e benefícios custeados por terceiros, participa de discussões sobre a condução dos negócios desenvolvidos pelo grupo e, ao menos em uma oportunidade, intervém diretamente em questão relacionada à emissão de nota fiscal destinada a Cleber Ribas de Oliveira”, diz o relatório.

A circunstância, segundo a corporação, “consideradas em conjunto, constituem indícios de efetiva participação de Fabio nas atividades desempenhadas pela associação informal investigada, recomendando o aprofundamento das diligências para esclarecer o seu papel, eventual responsabilidade e possível vantagem auferida no contexto dos fatos ora apurados”.

Em outro trecho dos diálogos interceptados pela PF, em junho de 2023, Luchsinger elenca o que havia feito em favor do empresário.

“Marquei semana q vem Geap p vc tb
Amanhã Julio
Portos e aeroportos
Correios
E aguardando Dataprev confirmar
Agora tô indo p mds... mas acho q vai dar certo
Mas fique tranquilo q a expectativa é mto boa
Só vc p me fazer o q fiz... vamos aguardar agora à tarde o resultado
Mas eu envolvi o palácio
Depois te conto pq tô numa mesa com 10″.

A defesa de Ribas afirma que não tem nem nunca teve contrato com a Dataprev tampouco relação comercial com Lulinha. Diz, ainda, que a consultoria de Luchsinger “foi contratada para a prestação de serviços de assessoria em questões de captação de clientes e identificação de oportunidades de negócio no ramo de tecnologia, atividade absolutamente lícita e comum no mercado”.

“Dito isso, não se pode tecer comentários sobre supostas mensagens sem acesso prévio aos dados brutos da interceptação telemática ou à totalidade das investigações em curso. Os vazamentos de fragmentos selecionados das comunicações e de interpretações feitas a partir desses trechos, todos vagos e descontextualizados, impossibilitam a efetiva atividade defensiva”, diz.

E complementa: “Reiteramos que os contratos celebrados com o Governo Federal foram firmados com a mais absoluta transparência, depois dos procedimentos administrativos previstos em lei e sem o favorecimento de quem quer que seja”.

O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, afirma que Lulinha não cometeu nenhuma irregularidade e que tratam-se de “vazamentos seletivos e criminosos”, além de dizer que a oposição está “instrumentalizando setores da Polícia Federal a serviço desses interesses eleitorais”.

“Isso é muito triste porque o ex-presidente Jair Bolsonaro tinha capturado a Polícia Federal para servir a seus interesses pessoais, blindar seus filhos, a milícia com a qual governou o país e seus aliados. O presidente Lula, ao contrário, adotou uma postura de estadista, devolveu as instituições de Estado ao Estado brasileiro, dando a elas autonomia”, afirma.

 

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