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De vendedor de refresco a advogado criminalista: a trajetória de David Santos
Nascido e criado em Plácido de Castro, advogado construiu sua trajetória entre o trabalho desde a infância, a cultura, o movimento estudantil, o serviço público e a advocacia criminal, sem romper os laços com suas origens.
22/08/2026 23h55 Atualizada há 1 mês
Por: Redação
David Santos, o Davin, advogado criminalista natural de Plácido de Castro, construiu sua trajetória marcada pelo trabalho, superação e dedicação à advocacia - Foto Arquivo pessoal.

A história de Deivin David Santos começa muito antes dos tribunais, dos processos e da advocacia. Ela nasce em Plácido de Castro, no Acre, em uma família humilde, e é construída a partir de uma rotina em que trabalho, estudo, cultura, participação comunitária e determinação caminharam lado a lado.

Filho de Dona Ivan, integrante da tradicional família Vale Vieira, descendente de Décio Vieira e neto de Dinézia, carinhosamente chamada por muitos de “Querida”, Deivin aprendeu ainda cedo que os objetivos são alcançados com esforço e persistência.

Aos 9 anos, enquanto estudava em uma escola pública, encontrou uma maneira de conquistar o próprio dinheiro: começou a vender refrescos durante o recreio. Era um pequeno negócio, mas já revelava uma característica que acompanharia sua vida: a disposição para trabalhar e buscar seus próprios caminhos.

Aos 11 anos, surgiu outra atividade que permaneceria presente durante boa parte de sua juventude. Deivin aprendeu a profissão de chapeiro com o irmão do meio, Edinho, conhecido em Plácido de Castro por sua atuação no ramo de lanchonetes.

Durante o ensino médio, conciliava os estudos com o trabalho noturno, preparando sanduíches. Mas sua adolescência não se resumiu à rotina profissional.

Entre o movimento estudantil e a cultura

Ainda estudante, passou a participar ativamente das agremiações estudantis. Representou Plácido de Castro em congressos de estudantes secundaristas realizados em diferentes estados brasileiros.

Foi nesse ambiente que começou a desenvolver uma habilidade que, anos depois, também seria importante em sua carreira: representar pessoas, defender ideias e se posicionar diante de diferentes questões.

A juventude de Deivin também foi marcada pela cultura, pelo esporte e pelos movimentos sociais.

Participou das bandas de fanfarra Banplac e Banpec, integrou durante mais de três anos a quadrilha Família Busca-Pé e praticou capoeira por aproximadamente oito anos, passando pelos grupos Senzala, Brasil e Mameluco.

Também participou do antigo programa Jovem Real, por meio de uma bolsa oferecida pelo Governo.

Aos 17 anos, ampliou sua participação no cenário cultural do município ao criar seu primeiro grupo de dança infantil, a Família Busca-Pé Mirim.

No ano seguinte, aos 18, juntamente com amigos, criou o grupo Kai Dentro, que ganhou notoriedade, entre outros aspectos, pelos tradicionais abadás utilizados nos festivais de praia e carnavais daquele período.

Primeiros passos no serviço público

Foi também aos 18 anos que Deivin teve sua primeira oportunidade no serviço público municipal.

Passou a atuar como professor e monitor em programas destinados à juventude, como o ProJovem e o antigo PETI.

Nos anos seguintes, sua participação na vida pública de Plácido de Castro se tornou ainda mais expressiva.

Exerceu funções como diretor da Câmara Municipal de Vereadores, ministrou cursos profissionalizantes por instituições como SEST SENAT e SEBRAE, ocupou a Diretoria de Juventude e posteriormente a Secretaria Municipal de Assistência Social.

Também presidiu a associação dos estudantes universitários, entidade responsável por organizar o transporte de alunos de Plácido de Castro que estudavam em Rio Branco.

Durante sua passagem pela Diretoria de Juventude, esteve entre os incentivadores de iniciativas destinadas a apoiar estudantes universitários do município, inclusive na busca por auxílio para custear o combustível utilizado no deslocamento até a capital.

A chegada da faculdade e uma nova fase

Aos 21 anos, dois acontecimentos importantes marcaram sua vida.

Deivin tornou-se pai de seu primeiro filho, Jackson Douglas, e ingressou no curso de Direito da Uninorte, em Rio Branco.

A partir daquele momento, precisou conciliar faculdade, trabalho, responsabilidades familiares e participação na vida pública — uma rotina exigente que se tornou parte de sua formação.

Em 2017, decidiu mudar-se para Rio Branco para iniciar um novo projeto de vida.

Foi justamente nesse período que sua trajetória deu uma nova volta.

Enquanto cursava Direito e se preparava para o Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, Deivin voltou à profissão que havia aprendido ainda criança: a de chapeiro.

Durante aproximadamente dois anos, trabalhou preparando sanduíches para garantir seu sustento enquanto estudava e se preparava para conquistar a carteira da OAB.

Em 2019, veio a aprovação.

O resultado representava muito mais do que a conquista de uma carteira profissional. Era o início de uma nova etapa de uma caminhada que havia começado uma década antes, quando um menino de nove anos vendia refrescos no recreio de uma escola pública.

Dos balcões aos tribunais

A partir da aprovação na OAB, Deivin iniciou sua carreira na advocacia e escolheu a Advocacia Criminal como principal área de atuação.

Nos primeiros anos da profissão, teve a oportunidade de aprender a prática jurídica ao lado de dois reconhecidos advogados acreanos, Dr. Maurício Hohenberg e Dr. Romano Gouveia, experiências que contribuíram para sua formação e para o desenvolvimento de sua atuação profissional.

Com o passar do tempo, começou a construir sua própria trajetória, participando da defesa em casos de grande repercussão e processos de maior complexidade no Acre.

Sua atuação permaneceu especialmente ligada a Plácido de Castro, cidade onde nasceu e onde construiu boa parte de sua história.

A atividade profissional, entretanto, ultrapassou as fronteiras do município e do próprio estado.

Deivin já atuou em diferentes unidades da Federação, entre elas Rio de Janeiro, Mato Grosso, Goiás, Amazonas, Paraíba e Rondônia, além de ter exercido a advocacia em todos os municípios do Acre.

Em 2024, deu mais um passo importante ao inaugurar seu próprio escritório de advocacia, resultado de uma construção profissional iniciada ainda na juventude.

Uma história que continua ligada a Plácido de Castro

Hoje, Deivin David Santos é advogado criminalista, marido de Cássia Emmy e pai de Jackson Douglas e Antonella.

Mesmo tendo ampliado sua atuação profissional para além das fronteiras acreanas, mantém uma ligação estreita com Plácido de Castro, município onde nasceu, cresceu, trabalhou, estudou e participou de movimentos culturais, sociais e estudantis.

Sua história pode ser contada por diferentes capítulos.

Primeiro, veio o menino que vendia refrescos no recreio.

Depois, o adolescente que aprendeu a trabalhar na chapa. Vieram a fanfarra, a quadrilha, a capoeira, os movimentos estudantis, os projetos sociais, a sala de aula e o serviço público.

Mais tarde, surgiu a universidade.

E, durante a preparação para a OAB, a chapa voltou a fazer parte de sua rotina.

Só então vieram a carteira profissional, os escritórios, os processos e os tribunais.

De vendedor de refrescos e chapeiro a advogado criminalista, a trajetória de Deivin não foi construída de uma única vez. Foi formada ao longo dos anos, entre oportunidades conquistadas, desafios enfrentados e escolhas que exigiram persistência.

Uma caminhada feita trabalhando, estudando e avançando sem esquecer as próprias raízes.

Atuação institucional na advocacia

Além da atividade nos tribunais e escritórios, Deivin também participa atualmente da vida institucional da advocacia.

É membro da Comissão de Advocacia Criminal da OAB e exerce a função de Secretário de Assuntos Penitenciários da OAB, participando de debates e iniciativas relacionados à advocacia criminal, ao sistema prisional e às prerrogativas profissionais.

É mais um capítulo de uma trajetória que começou longe dos grandes escritórios e dos tribunais — em uma escola pública de Plácido de Castro, com um menino de apenas nove anos vendendo refrescos durante o recreio.

Uma história que atravessou diferentes profissões, espaços e desafios, mas preservou um elemento presente desde o começo: a disposição para trabalhar e construir, passo a passo, o próprio caminho.