O cerco das forças de segurança contra o crime organizado e os delitos transfronteiriços ganhou números expressivos no Acre. Dados consolidados pelo Grupo Especial de Operações em Fronteira (GEFRON), referentes ao período de janeiro a agosto de 2026, apontam uma atuação intensa nas regiões de fronteira do Estado, com apreensões de drogas, armas, munições, veículos e mercadorias, além do cumprimento de mandados de prisão.
De acordo com o relatório estatístico de produtividade, foram registradas 102 ocorrências gerais nos oito primeiros meses do ano. Entre os principais registros estão 29 ocorrências de descaminho, 26 cumprimentos de mandados de prisão e 25 ocorrências relacionadas ao tráfico de drogas.
Somadas, essas três modalidades correspondem a 80 ocorrências, representando a maior parte da atividade operacional contabilizada pelo grupo especializado.
Um dos resultados mais expressivos está relacionado ao combate ao tráfico de entorpecentes. Entre janeiro e agosto, o GEFRON apreendeu 2.170,372 quilos de drogas, volume superior a 2,1 toneladas.
O mês de março concentrou a maior apreensão do período, com 1.001,450 quilos de entorpecentes, equivalente a aproximadamente 46% de todo o volume apreendido nos oito meses.
Agosto aparece na sequência, com 415,342 quilos, enquanto fevereiro contabilizou 375 quilos e maio, 183,120 quilos.
Somente março e agosto foram responsáveis por aproximadamente 65% de toda a droga apreendida no período analisado.
O resultado evidencia a importância das operações de fiscalização, patrulhamento e inteligência realizadas nas áreas de fronteira, consideradas estratégicas para impedir que rotas utilizadas por grupos criminosos sejam transformadas em corredores para o transporte de substâncias ilícitas.
A atuação do GEFRON não ficou restrita ao combate ao tráfico de drogas. As operações contra o descaminho também produziram números significativos.
Foram contabilizadas 29 ocorrências dessa natureza, com a apreensão de 34.040 maços de cigarros e impressionantes 55.260 unidades de desodorantes Dove, além de outras mercadorias vinculadas às ocorrências.
Somente esses dois produtos totalizam 89.300 unidades apreendidas, demonstrando a dimensão da fiscalização sobre mercadorias transportadas irregularmente pela região fronteiriça.
O trabalho policial também resultou na localização de pessoas procuradas pela Justiça.
Segundo o balanço, foram cumpridos 26 mandados de prisão entre janeiro e agosto. O relatório contabiliza ainda 92 conduções/prisões decorrentes das ações operacionais realizadas no período.
Para as forças de segurança, o cumprimento dessas ordens judiciais representa uma frente importante no enfrentamento à criminalidade, especialmente em uma área marcada pela circulação de pessoas e veículos entre diferentes pontos da fronteira.
Durante as operações, 36 veículos foram apreendidos ou recuperados. A medida possui relevância estratégica porque automóveis e motocicletas podem ser utilizados no transporte de drogas, armas, mercadorias de origem ilícita e outros materiais relacionados a atividades criminosas.
O balanço aponta ainda a retirada de circulação de 8 armas de fogo e 19 munições.
A apreensão desses materiais representa mais um golpe preventivo contra estruturas criminosas que dependem de armamento para garantir o domínio de rotas, realizar ameaças ou praticar outros delitos.
Um dos dados que mais chama atenção no relatório é o indicador de descapitalização das organizações criminosas.
Entre janeiro e agosto de 2026, o GEFRON contabilizou R$ 26.606.486,00 em prejuízo ou descapitalização estimada das atividades criminosas.
Março foi o mês de maior impacto financeiro, com R$ 9.048.885,00, seguido por agosto, que registrou R$ 5.302.292,00.
Juntos, os dois meses representam aproximadamente 54% de toda a descapitalização contabilizada no período.
O indicador demonstra que a estratégia policial vai além da retirada de drogas e outros produtos ilícitos das ruas. Ao atingir bens, mercadorias e estruturas utilizadas pelas organizações criminosas, as operações também buscam comprometer a capacidade financeira desses grupos.
É importante diferenciar esse valor do dinheiro efetivamente encontrado durante as ocorrências. O relatório registra R$ 18.542,00 em espécie apreendidos, enquanto os R$ 26,6 milhões correspondem ao indicador de prejuízo/descapitalização estimado das atividades criminosas.
Os números consolidados pelo GEFRON entre janeiro e agosto de 2026 traçam um panorama da atuação especializada no combate aos crimes transfronteiriços no Acre.
Em oito meses, foram contabilizados:
O balanço reforça o papel estratégico do Grupo Especial de Operações em Fronteira na proteção das áreas fronteiriças do Acre. A atuação envolve fiscalização, repressão, prevenção e inteligência policial, com foco tanto na apreensão de ilícitos quanto na interrupção das estruturas que sustentam o crime organizado.
Os dados foram consolidados no Relatório de Produtividade do GEFRON – janeiro a agosto de 2026, documento destinado à Administração Pública Federal e Estadual. O relatório é assinado eletronicamente pelo coronel PM Assis Martins dos Santos, coordenador-geral do Grupo Especial de Operações em Fronteira (GEFRON/AC), conforme a Portaria SEJUSP nº 385, de 20 de agosto de 2026.
Os resultados apresentados mostram que, na linha de frente da segurança pública, o combate ao crime nas fronteiras do Acre vem sendo travado não apenas com apreensões e prisões, mas também com ações destinadas a interromper rotas, retirar recursos de circulação e atingir financeiramente as organizações criminosas.