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Setembro Amarelo: a andropausa pesa na saúde mental do homem

Campanha nacional de prevenção ao suicídio reacende o debate sobre a saúde emocional dos homens. Especialista aponta que o declínio hormonal do envelhecimento, conhecido como andropausa, pode estar entre os fatores que agravam quadros de tristeza,...

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
11/09/2026 às 09h01
Setembro Amarelo: a andropausa pesa na saúde mental do homem
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O mês de setembro concentra, no Brasil, uma das campanhas de saúde pública mais conhecidas do calendário nacional. Faixas amarelas, rodas de conversa e conteúdos informativos se multiplicam com um objetivo comum, o de lembrar que pedir ajuda é um gesto de coragem, não de fraqueza. Por trás da cor que dá nome à campanha, existe uma preocupação concreta com um grupo específico da população, os homens adultos, historicamente mais resistentes a procurar apoio emocional e, por isso, mais vulneráveis a quadros graves de sofrimento psíquico e, também, hormonal.

Os números que justificam o alerta

Dados do Ministério da Saúde reunidos no Boletim Epidemiológico sobre mortalidade por suicídio no Brasil mostram que, em 2021, foram registrados 15.507 óbitos por essa causa no país, sendo 12.072 entre homens, o equivalente a 77,8% do total. A taxa de mortalidade masculina chegou a 11,9 por 100 mil habitantes, valor de duas a quatro vezes maior do que a taxa registrada entre mulheres no mesmo período, segundo o documento oficial. Entre 2010 e 2021, a taxa geral de suicídio no país subiu 42%, alta que se acentuou nos anos mais recentes da série histórica, de acordo com o mesmo boletim.

O urologista Dr. Fernando Marsicano, médico com mais de 3 décadas de experiência, afirma que "esses números refletem um padrão observado também no consultório, o de homens que adiam sintomas físicos e emocionais até que eles se tornem difíceis de ignorar. A dificuldade de falar sobre saúde mental costuma andar lado a lado com a resistência a investigar as mudanças hormonais que acompanham o envelhecimento, embora as duas questões estejam mais conectadas do que a maioria das pessoas imagina".

Andropausa, um declínio silencioso

A queda progressiva da testosterona ao longo da vida adulta recebe, na literatura médica, o nome de Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino, popularmente chamada de andropausa. Diferentemente da menopausa feminina, o processo é gradual e nem sempre percebido, o que contribui para o subdiagnóstico. Segundo posicionamento oficial da Sociedade Brasileira de Urologia, quando confirmada por exames clínicos e laboratoriais, a deficiência de testosterona pode trazer prejuízos que vão além da esfera sexual, incluindo queda de disposição, redução da massa muscular e diminuição da cognição e do raciocínio.

"Um dos erros mais comuns é tratar a queda de testosterona como um assunto exclusivamente ligado à libido. Sintomas como cansaço persistente, irritabilidade, dificuldade de concentração e perda de motivação para atividades cotidianas também podem sinalizar um quadro hormonal que merece investigação, especialmente a partir dos 40 anos", explica o Dr. Fernando Marsicano.

A conexão entre testosterona e saúde emocional

O vínculo entre níveis hormonais e humor já é objeto de estudo há décadas. Pesquisa publicada na Revista da Associação Médica Brasileira descreve associação inversa entre níveis de testosterona livre e sintomas depressivos em homens mais velhos, com melhora de humor e de funções cognitivas, como memória verbal, em pacientes submetidos à reposição hormonal supervisionada.

Revisão integrativa mais recente, publicada em dezembro de 2025 na Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, analisou 17 estudos sobre o tema e identificou que homens com testosterona baixa apresentam aproximadamente o dobro do risco de desenvolver episódios depressivos. Nos casos de depressão subclínica, a reposição hormonal alcançou taxa de remissão de 52,9%, contra 18,8% no grupo placebo, embora a eficácia se mostre mais limitada em quadros de depressão maior já estabelecida.

"Esses achados reforçam a importância de olhar para a saúde do homem de forma integrada, unindo urologia, clínica geral e, quando necessário, acompanhamento psicológico ou psiquiátrico", pondera o Dr. Fernando. Segundo o urologista, "a hipótese de que hormônios sexuais participam da regulação de neurotransmissores como serotonina e dopamina ajuda a explicar por que oscilações hormonais podem se manifestar como oscilações de humor".

Diagnóstico e reposição hormonal com segurança

A recomendação de entidades médicas é clara quanto à necessidade de acompanhamento profissional antes de qualquer intervenção hormonal. De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, apenas duas formas de reposição têm aprovação no Brasil: a injetável e o gel transdérmico, sendo que implantes subdérmicos não possuem autorização da Anvisa nem comprovação científica de segurança. A entidade alerta ainda que o uso indiscriminado de testosterona pode provocar efeitos colaterais graves, entre eles aumento do coração, risco cardiovascular e infertilidade.

"O diagnóstico da andropausa depende de exames de sangue específicos, avaliação clínica detalhada e, muitas vezes, descarte de outras condições que produzem sintomas semelhantes, como distúrbios da tireoide e apneia do sono", destaca Marsicano. "O acompanhamento contínuo permite ajustar doses, monitorar a próstata e reduzir riscos ao longo do tratamento", completa o urologista.

Segundo o Dr. Fernando Marsicano, "homens acima dos 40 anos que notam mudanças persistentes de humor, energia ou desempenho físico, a orientação é buscar uma avaliação hormonal completa antes de atribuir os sintomas apenas ao estresse do dia a dia. Insônia recorrente, perda de interesse por atividades antes prazerosas, isolamento social e irritabilidade constante figuram entre os sinais que campanhas de saúde mental recomendam não ignorar, sobretudo quando persistem por semanas".

O Setembro Amarelo, nesse sentido, funciona como um lembrete de que corpo e mente caminham juntos, e que investigar as causas de um mal-estar persistente pode abrir caminho tanto para um diagnóstico preciso quanto para uma conversa mais aberta sobre saúde emocional. "Romper o silêncio em torno desses temas depende tanto de informação de qualidade quanto da disposição de procurar um profissional assim que os primeiros sinais aparecem, sem esperar que o quadro se agrave", afirma Marsicano.

Para mais informações, basta acessar o site e as redes sociais: Facebook | Instagram.

Assessoria de Imprensa

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