
O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) se manifestou publicamente nesta terça-feira (15) sobre as providências adotadas após o desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, ocorrido em 5 de junho deste ano. Em nota, o órgão detalhou investigações nas áreas cível e criminal, medidas judiciais já obtidas e as ações adotadas para apurar eventuais responsabilidades pelo colapso.
No documento, o MPAC afirma que acompanha o caso desde os primeiros momentos após o acidente e que as medidas buscam esclarecer as causas do desabamento e proteger a população atingida.
“Desde os primeiros momentos após o acidente, o Ministério Público vem acompanhando a situação e adotando medidas nas áreas técnica, cível e criminal, com o objetivo de esclarecer o que aconteceu, apurar eventuais responsabilidades e contribuir para a proteção da população afetada”, diz trecho da nota.
Um dos principais pontos revelados na manifestação envolve a existência de uma investigação criminal sobre o caso. A Promotoria Criminal de Sena Madureira instaurou um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para verificar se existem eventuais responsabilidades relacionadas ao acidente.
Segundo o MPAC, uma das linhas de investigação busca identificar possíveis omissões na fiscalização e na execução da obra.
“A primeira busca esclarecer as circunstâncias que envolveram o desabamento da estrutura, incluindo a possível existência de omissões relacionadas à fiscalização à execução da obra”, informou o órgão.
Retirada de escombros de ponte sobre o Rio Iaco depende de aval do Estado e de perícia/ Foto: ReproduçãoO MPAC também analisa contratos, documentos e laudos técnicos relacionados à ponte. As vítimas do acidente já foram ouvidas, assim como moradores da região, servidores públicos e representantes da empresa contratada.
As investigações ainda estão em andamento e dependem da conclusão de perícias e da análise do material reunido.
Na área cível, o Ministério Público informou que instaurou um Inquérito Civil e ingressou com uma ação cautelar para garantir medidas de reparação dos danos e proteção da população.
A Justiça determinou, entre outras providências, o bloqueio de até R$ 36 milhões em bens da Construtora Cidade e a suspensão dos pagamentos realizados pelo Estado do Acre à empresa.
Também foi determinada a apresentação, pelo Governo e pela construtora, de um plano conjunto contendo prazos e custos para a reparação dos danos, desobstrução da área e reconstrução da ponte.
O Estado deverá ainda apresentar a apólice de seguro de riscos de engenharia e de responsabilidade civil, comprovantes de pagamento e o aviso do sinistro.
Outra determinação é a apresentação de um plano para manutenção do tráfego na Estrada Mário Lobão e disponibilização de uma balsa gratuita e segura entre o Centro e o Segundo Distrito.
Em caso de descumprimento das determinações, foi estabelecida multa diária de R$ 10 mil.
Na manifestação, o Ministério Público informou que uma equipe do Núcleo de Apoio Técnico Especializado (NAT) foi enviada a Sena Madureira já no dia 6 de junho, um dia após o colapso.
Os técnicos acompanharam os primeiros trabalhos de perícia e avaliação da estrutura ao lado do Instituto de Criminalística da Polícia Civil, Defesa Civil, Secretaria de Obras do Acre e Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre).
O Ministério Público também solicitou providências à Polícia Civil, ao Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) e ao Centro de Apoio Operacional de Defesa do Patrimônio Público do próprio MPAC.
“Caso sejam identificadas irregularidades que justifiquem novas medidas, o Ministério Público poderá ingressar com uma Ação Civil Pública”, informou o órgão.
Outro procedimento foi instaurado para identificar as famílias que vivem ou possuem imóveis em áreas que podem ser atingidas em decorrência do desabamento. Segundo o MPAC, a iniciativa é preventiva e pretende permitir a adoção antecipada de medidas de proteção.
Ao finalizar a manifestação pública, o Ministério Público ressaltou que as apurações ainda não foram concluídas e que novas informações podem surgir no decorrer das investigações.
“O Ministério Público do Estado do Acre continuará acompanhando a situação e adotando as medidas necessárias para que os fatos sejam devidamente esclarecidos, eventuais responsabilidades sejam apuradas, e os direitos e a segurança da população de Sena Madureira sejam preservados”, conclui a nota.
O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio da Promotoria Cível de Sena Madureira, Promotoria Criminal de Sena Madureira e do Núcleo de Apoio Técnico Especializado (NAT), vem informar à população do Acre, especialmente aos moradores de Sena Madureira, sobre as providências adotadas após o colapso da Ponte Frei Paolino Baldassari, ocorrido no dia 5 de junho de 2026.
Desde os primeiros momentos após o acidente, o Ministério Público vem acompanhando a situação e adotando medidas nas áreas técnica, cível e criminal, com o objetivo de esclarecer o que aconteceu, apurar eventuais responsabilidades e contribuir para a proteção da população afetada.
Atuação do Ministério Público
No dia seguinte ao acidente, 6 de junho, uma equipe do NAT foi enviada a Sena Madureira para acompanhar de perto os primeiros trabalhos de perícia e avaliação da estrutura.
A equipe atuou em conjunto com o Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Estado do Acre, a Defesa Civil, a Secretaria de Obras do Acre e o Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre), buscando reunir informações que pudessem contribuir para esclarecer as causas do colapso e dimensionar os impactos provocados pelo acidente.
Medidas adotadas na área cível
O Ministério Público instaurou um Inquérito Civil para aprofundar a apuração sobre o caso.
A investigação reúne perícias, análises técnicas e informações administrativas que poderão ajudar a esclarecer as circunstâncias do colapso e eventuais responsabilidades.
Também foram solicitadas providências à Polícia Civil, ao Tribunal de Contas do Estado do Acre e ao Centro de Apoio Operacional de Defesa do Patrimônio Público do MPAC. O NAT foi acionado para realizar análises e elaborar parecer técnico sobre a situação.
Ao final das investigações, caso sejam identificadas irregularidades que justifiquem novas medidas, o Ministério Público poderá ingressar com uma Ação Civil Pública.
Ações Judiciais
A Promotoria Cível de Sena Madureira ingressou com uma ação cautelar para garantir a adoção de medidas destinadas à reparação dos danos e à proteção dos interesses da população.
Em decisão judicial, foram determinadas, entre outras, as seguintes medidas:
Famílias afetadas
Um segundo procedimento foi aberto para identificar as famílias que moram ou possuem imóveis na área que pode ser atingida em razão do desabamento.
A iniciativa tem caráter preventivo. O objetivo é conhecer a situação dessas famílias e permitir que o poder público adote, com antecedência, as medidas necessárias para evitar novos riscos.
Da responsabilização criminal
A Promotoria Criminal de Sena Madureira instaurou um Procedimento Investigatório Criminal e também conduz investigações para apurar eventual responsabilidade criminal relacionada ao acidente.
O trabalho está organizado em duas frentes principais.
A primeira busca esclarecer as circunstâncias que envolveram o desabamento da estrutura, incluindo a possível existência de omissões relacionadas à fiscalização à execução da obra. Para isso, estão sendo realizados oitivas e levantamentos de informações que possam ajudar a reconstruir o que ocorreu antes e no momento do acidente.
A segunda frente está relacionada ao contrato, aos documentos e aos laudos técnicos envolvidos no caso. As análises ainda estão em andamento e dependem da conclusão de perícias e da avaliação de outros elementos que poderão contribuir para esclarecer eventuais responsabilidades.
As vítimas do acidente foram ouvidas, além de moradores da área, servidores públicos e representantes da empresa contratada.
O Ministério Público continua acompanhando o caso
As investigações e análises ainda estão em andamento. Por isso, novas informações poderão surgir à medida que forem concluídas as perícias, ouvidas as pessoas envolvidas e analisados os documentos relacionados ao caso.
O Ministério Público do Estado do Acre continuará acompanhando a situação e adotando as medidas necessárias para que os fatos sejam devidamente esclarecidos, eventuais responsabilidades sejam apuradas, e os direitos e a segurança da população de Sena Madureira sejam preservados.
Rio Branco-Ac, 15 de setembro de 2026
Júlio Cesar de Medeiros Silva
Promotor de Justiça Cível de Sena Madureira e membro do GAECO
Júlia Fernandes de Brito
Promotora de Justiça Cível de Sena Madureira
José Eduardo Galvão de Castro Menezes
Promotor de Justiça Criminal de Sena Madureira e membro do GAECO
Rodrigo Curti
Promotor de Justiça / Coordenador do Núcleo de Apoio Técnico Especializado
*Com informações do ContilNet.