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O silêncio do lixão do quilômetro 8: a sentença do “Tribunal do Crime” que terminou em morte
Antônia Francisca Miranda Lima desapareceu após retornar a Plácido de Castro e foi encontrada morta no aterro sanitário; investigação apontou a participação de quatro pessoas e uma execução ordenada por integrantes de uma organização criminosa.
15/09/2026 19h26 Atualizada há 2 semanas
Por: Redação Fonte: Conteúdo de IA
Antônia Francisca Miranda Lima foi encontrada morta em maio de 2021 — Foto: Arquivo pessoal

Era 26 de maio de 2021 quando uma denúncia chegou às mãos dos investigadores da Polícia Civil de Plácido de Castro. Uma mulher havia desaparecido e, segundo as primeiras informações, teria sido vista seguindo em direção ao aterro sanitário acompanhada por dois homens.

O que parecia ser mais um registro de desaparecimento rapidamente ganhou contornos de uma investigação de homicídio.

Os policiais seguiram até o lixão. Em meio à vegetação e aos resíduos espalhados pelo terreno, encontraram o corpo de Antônia Francisca Miranda Lima, de 29 anos. A mulher apresentava diversas perfurações provocadas por arma branca.

A notícia rapidamente atravessou a pequena cidade.

Antônia havia retornado recentemente a Plácido de Castro depois de passar cerca de duas semanas em Porto Velho. Segundo familiares ouvidos pela imprensa na época, ela vinha demonstrando mudanças de comportamento e havia publicado mensagens nas redes sociais que foram interpretadas posteriormente como possíveis sinais de despedida. A vítima deixou cinco filhos.

A investigação começa a remontar os últimos passos

A partir das informações colhidas no local, os investigadores reconstruíram parte dos momentos que antecederam a morte.

Segundo a investigação divulgada posteriormente pelas autoridades, Antônia teria sido abordada por integrantes de um grupo criminoso e levada de veículo até o local onde seria executada.

Ali, conforme informações da Polícia, teria ocorrido uma espécie de “Tribunal do Crime”.

A investigação apontou que a vítima teria sido submetida a um interrogatório diante dos envolvidos. Um vídeo teria sido produzido durante o ato e, segundo a Polícia Civil, Antônia teria sido acusada de repassar informações sobre as atividades do grupo a terceiros.

A sentença, naquele ambiente clandestino, teria sido a morte.

As autoridades relataram que a mulher foi colocada de joelhos e sofreu sucessivos golpes de faca durante aproximadamente cinco minutos. Outras reportagens, com base na perícia e nas informações policiais, mencionaram mais de 50 ferimentos.

As primeiras prisões

A resposta policial começou praticamente no dia seguinte à localização do corpo.

Dois suspeitos — um homem de 19 anos e um adolescente de 16 — foram localizados e presos ou apreendidos. Segundo a Polícia Civil, ambos teriam confessado participação no homicídio e fornecido informações que ajudaram os investigadores a avançar na identificação dos demais envolvidos.

As diligências continuaram.

Em junho daquele ano, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e prisão relacionados ao caso. Um dos investigados foi apontado como responsável por transportar a vítima e outros envolvidos até o lixão.

A investigação chegou ainda a uma mulher que, segundo a polícia, teria filmado a execução.

Ao final do inquérito, quatro pessoas foram indiciadas pelos crimes de homicídio qualificado, corrupção de menores e organização criminosa. O adolescente envolvido passou a responder por ato infracional análogo ao homicídio qualificado.

O homem apontado como mandante

A investigação, porém, ainda tinha uma peça considerada central.

Em 22 de junho de 2021, uma operação da FICCO — formada por Polícia Federal, Polícia Civil e Polícia Militar — cumpriu mandado de prisão preventiva contra um homem apontado pelas autoridades como mandante da execução e integrante da liderança de uma organização criminosa.

Segundo a Polícia Federal, ele havia conseguido escapar inicialmente, mas acabou localizado no bairro Calafate, em Rio Branco. Na ocasião, estava em posse de uma arma de fogo.

O cerco policial, iniciado a partir de uma denúncia sobre o desaparecimento de uma mulher, havia chegado ao suposto núcleo responsável pela execução.

Um caso que permaneceu na memória

O assassinato de Antônia Francisca Miranda Lima ficou marcado na memória de Plácido de Castro não apenas pela violência empregada, mas pela forma como a investigação revelou a existência de uma estrutura clandestina de julgamento e execução atribuída a criminosos.

O lixão do quilômetro 8, cenário onde a história terminou, tornou-se também uma das principais referências desse caso policial.

Anos depois, o episódio voltou a ganhar atenção com a movimentação judicial envolvendo os acusados. O caso passou da investigação policial para a esfera do Judiciário, onde coube à Justiça analisar as responsabilidades individuais e aplicar as consequências previstas em lei.

Para além dos autos, permanece a história de uma mulher que desapareceu durante uma tarde e cuja família precisou esperar pelo trabalho dos investigadores para descobrir o que havia acontecido.

No fim daquela investigação, o silêncio do lixão revelou uma história de violência, vingança e poder criminoso.

E o nome de Antônia Francisca Miranda Lima ficou registrado entre os casos que mais chocaram Plácido de Castro.