
O governo da Bolívia acendeu o alerta para uma possível expansão do crime organizado na região amazônica de Pando, na fronteira com o Brasil. O ministro de Governo, Marco Antonio Oviedo, denunciou durante sessão da Assembleia Legislativa Plurinacional que grupos criminosos brasileiros estariam tentando ampliar sua influência sobre o município de Santa Rosa del Abuná, utilizando estradas da região para impor cobranças e controlar o trânsito de mercadorias.
Segundo o ministro, a situação mais grave estaria concentrada no trecho que liga Santa Rosa del Abuná a Montevideo, área próxima à fronteira brasileira. Conforme o relato apresentado pelo governo boliviano, integrantes de uma organização associada ao Comando Vermelho estariam armados com fuzis e exigindo pagamentos para permitir a passagem de mercadorias.
“Esta rota está em Santa Rosa até Montevideo, fronteira com o Brasil, encontra-se tomada pelo Comando Vermelho; estão armados com fuzis e exigem pagamentos pelo passo de mercadorias”, afirmou Oviedo durante sua exposição.
Durante a manifestação, Oviedo fez referência às duas principais organizações criminosas brasileiras conhecidas pelas siglas PCC (Primeiro Comando da Capital) e Comando Vermelho. Em determinado momento, o ministro afirmou que uma facção ligada ao PCC estaria tentando assumir o controle do município de Santa Rosa del Abuná, enquanto atribuiu ao Comando Vermelho a suposta ocupação da rota Santa Rosa–Montevideo.
A denúncia descreve um cenário de pressão sobre comerciantes e transportadores, que, de acordo com o governo boliviano, seriam obrigados a desembolsar dinheiro para conseguir transportar suas mercadorias pela região.
A imprensa boliviana também registrou que Oviedo mencionou a existência de cobranças semelhantes a pedágios clandestinos, utilizados como mecanismo de controle territorial e financeiro.
Após as declarações feitas na Assembleia, Oviedo informou que determinou, juntamente com o comandante-geral da Polícia Boliviana, Adrián Javier Álvarez, uma atuação imediata das forças de segurança em Pando.
A ordem ocorre em meio às denúncias de expansão de organizações criminosas brasileiras em áreas próximas à fronteira e prevê o reforço das ações policiais na região.
O ministro também afirmou que o governo pretende utilizar forças especializadas para enfrentar o avanço das estruturas criminosas nas áreas consideradas mais críticas.
As acusações foram apresentadas justamente durante a discussão sobre a ampliação do estado de exceção na Bolívia. A Assembleia Legislativa Plurinacional aprovou posteriormente a extensão da medida por mais 90 dias.
O governo boliviano vem relacionando a situação de segurança em regiões fronteiriças à presença de organizações criminosas brasileiras. Oviedo afirmou ainda que essas estruturas estariam começando a recrutar cidadãos bolivianos para ampliar sua presença no território nacional.
Até o momento, as informações sobre a suposta tomada da rota e as cobranças impostas aos comerciantes são baseadas nas declarações das autoridades bolivianas divulgadas publicamente. As reportagens consultadas não apresentam, até esta publicação, detalhes de uma operação policial que tenha confirmado independentemente todos os pontos da denúncia.
A localização de Santa Rosa del Abuná, em uma área amazônica diretamente ligada à fronteira com o Brasil, coloca o episódio no radar das autoridades de segurança dos dois países, especialmente diante das acusações de circulação de organizações criminosas transfronteiriças e da tentativa de controle de rotas utilizadas para transporte e comércio.