
RIO BRANCO (AC) — A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta terça-feira (22), mandado de busca e apreensão na residência do ex-governador do Acre e candidato ao Senado pelo Progressistas, Gladson Cameli. A diligência ocorreu no condomínio Recanto Verde, em Rio Branco, em meio à campanha eleitoral e a uma disputa judicial que mantém o registro de candidatura do político sob análise da Justiça Eleitoral.
Durante a ação, os agentes apreenderam o celular utilizado por Cameli e três veículos de sua propriedade: uma Toyota SW4, uma BMW e um Volkswagen. Pessoas próximas ao ex-governador também teriam sido alcançadas pelas medidas judiciais, entre elas um integrante de sua equipe de segurança.
Até o momento, a Polícia Federal não divulgou oficialmente a motivação específica da diligência desta terça-feira. Informações publicadas pela imprensa apontam que a medida pode estar relacionada a investigações derivadas da Operação Ptolomeu, que apurou suspeitas envolvendo desvios de recursos públicos e outros crimes no Acre. A PF, contudo, não confirmou publicamente essa relação até a publicação desta reportagem.
O episódio ocorre meses depois de Cameli ser condenado pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no âmbito da Ação Penal nº 1.076/DF.
Em maio deste ano, o tribunal condenou o ex-governador a 25 anos e nove meses de reclusão, em regime inicial fechado, além de 600 dias-multa e do pagamento de R$ 11.785.020,31 em indenização por danos materiais ao Estado do Acre. A decisão também determinou a perda do cargo público de governador.
A condenação envolveu crimes como peculato-desvio, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraude em licitação, conforme o acórdão do STJ.
A defesa apresentou embargos de declaração contra a decisão. Em agosto, a Corte Especial do STJ rejeitou o recurso, mantendo a condenação e seus principais efeitos. Segundo informações divulgadas à época, a defesa ainda poderia recorrer dentro das vias judiciais cabíveis.
A condenação também passou a produzir efeitos diretamente sobre a candidatura de Cameli ao Senado.
Em 11 de setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) julgou procedente, por unanimidade, a impugnação apresentada pela Procuradoria Regional Eleitoral e indeferiu o registro da candidatura de Gladson Cameli.
Segundo o TRE-AC, a decisão teve como fundamento a Lei da Ficha Limpa, que prevê hipóteses de inelegibilidade para condenações determinadas por órgão judicial colegiado. O tribunal destacou que, nesse caso, a incidência da inelegibilidade não depende do trânsito em julgado da ação penal.
A decisão, entretanto, não encerrou definitivamente a disputa eleitoral. O próprio TRE-AC informou que a sentença é passível de recurso e que, enquanto não houver decisão definitiva sobre o registro, Cameli permanece sub judice.
Nessa condição, ele pode continuar praticando atos de campanha e seu nome permanece na urna eletrônica enquanto estiver pendente uma decisão definitiva sobre a candidatura, conforme explicou a própria Justiça Eleitoral.
A ação da Polícia Federal ocorre a apenas 12 dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, aumentando a repercussão do episódio no cenário político acreano.
Até a conclusão desta reportagem, não havia manifestação pública de Gladson Cameli sobre o cumprimento dos mandados. Também não foi divulgada pela Polícia Federal a íntegra da decisão judicial que autorizou as buscas.
O caso deverá ter novos desdobramentos tanto na esfera investigativa quanto na Justiça Eleitoral, onde a candidatura do ex-governador continua sub judice enquanto os recursos não forem definitivamente analisados.
*Com informações do Ac24Horas e Portal Acre.