A crise no abastecimento de água em Acrelândia ganhou novas proporções e passou a atingir também moradores da parte baixa do município. À reportagem, famílias do bairro 28 de Abril, região conhecida popularmente como Paraíso e localizada nas proximidades do lixão a céu aberto da cidade, relataram que estão há dias enfrentando dificuldades para conseguir água para atividades essenciais.
Entre os relatos recebidos está o da moradora Daniela, que afirma estar há oito dias sem receber abastecimento adequado. Segundo ela, o caminhão-pipa chegou a passar pela região, mas não teria realizado a entrega em sua residência.
De acordo com a moradora, na última segunda-feira houve abastecimento e, posteriormente, na quarta-feira, o caminhão teria atendido algumas casas antes da sua. No entanto, segundo Daniela, a equipe informou que a mangueira utilizada no veículo seria pequena para alcançar sua residência.
“Me chamo Daniela. Estou há oito dias sem água. Vieram abastecer na segunda-feira e, na quarta-feira, estavam abastecendo umas casas antes da minha, mas não vieram na minha porque disseram que a mangueira era pequena”, relatou.
A moradora afirma ainda que o atendimento, que anteriormente ocorria com maior frequência, teria sido reduzido gradativamente.
Segundo Daniela, em determinado período o caminhão-pipa costumava passar às segundas, quartas e sábados. Com o agravamento do problema, porém, o abastecimento teria passado a ocorrer apenas uma vez por semana, situação que, segundo ela, deixou a família em dificuldades.
O problema, conforme o relato, ultrapassa a dificuldade de armazenar água e já estaria interferindo diretamente na rotina familiar.
Daniela afirma que possui duas crianças pequenas e que precisa de água para garantir tarefas básicas, como banho, lavagem de roupas e louças, preparo das refeições e cuidados necessários para que os filhos possam frequentar a escola.
“Tenho duas crianças pequenas que precisam de água para tomar banho e poder ir para a escola. Tenho que fazer os deveres de casa, como lavar roupas e louças, para poder fazer comida para eles. Estamos sem água para fazer nada”, afirmou.
A moradora também disse que procurou novamente o serviço responsável nesta segunda-feira em busca de uma solução. Segundo ela, recebeu como resposta que o caminhão-pipa estaria quebrado.
“Enviei mensagem hoje, segunda-feira, e me falaram que o pipa está quebrando toda vez. E a gente fica abandonado total”, declarou.
A nova denúncia ocorre poucos dias depois de outras reclamações relacionadas ao abastecimento de água em Acrelândia.
Na semana passada, a reportagem recebeu relatos de moradores da parte alta do município que afirmaram enfrentar longos períodos de espera pelo caminhão-pipa. Em algumas situações, segundo os denunciantes, famílias teriam passado mais de uma semana aguardando pelo atendimento emergencial.
Outro relato divulgado em 29 de setembro apontou dificuldades enfrentadas por moradores que dependem do abastecimento alternativo. Na ocasião, uma família afirmou que precisava realizar sucessivos contatos para solicitar a entrega e que aguardava novo abastecimento desde o dia 26 de setembro.
Agora, a manifestação de moradores da região do bairro 28 de Abril amplia o cenário de preocupação, uma vez que as reclamações deixam de estar concentradas apenas em uma determinada área e passam a envolver também famílias da parte baixa da cidade.
O caminhão-pipa tem sido utilizado como uma das alternativas para atender moradores de localidades que enfrentam problemas no abastecimento convencional.
Entretanto, segundo os relatos encaminhados à reportagem, a suposta indisponibilidade do veículo estaria comprometendo o atendimento de famílias que dependem exclusivamente da distribuição emergencial.
A alegação de que o caminhão estaria quebrado ainda precisa ser confirmada oficialmente pelo órgão responsável. Também será necessário esclarecer se existe outro veículo disponível para substituir o equipamento, quais áreas estão sendo priorizadas e qual é o cronograma adotado para atender as famílias que aguardam pelo abastecimento.
O Saneacre — Serviço de Água e Esgoto do Estado do Acre — é uma autarquia estadual responsável pela prestação dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário nos municípios do interior do Acre que estão sob sua área de atuação.
Entre as atribuições do órgão estão atividades relacionadas à captação, tratamento, reservação, distribuição e manutenção dos sistemas de abastecimento.
O Governo do Acre também disponibiliza canais para que consumidores registrem reclamações relacionadas à falta de água. Conforme as orientações do serviço, o órgão pode realizar vistoria para identificar a origem do problema e adotar as providências necessárias.
Para as famílias afetadas, a questão deixou de ser apenas uma reclamação sobre a regularidade do serviço e passou a representar uma dificuldade para realizar atividades básicas do cotidiano.
A falta de água compromete higiene pessoal, limpeza das residências, lavagem de roupas e utensílios domésticos, além do preparo dos alimentos. A situação se torna ainda mais delicada quando envolve famílias com crianças pequenas.
O caso relatado por Daniela também evidencia a necessidade de o serviço emergencial possuir estrutura suficiente para alcançar as residências atendidas. Segundo a moradora, mesmo com o caminhão circulando pela região, sua casa teria deixado de receber água sob a justificativa de que a mangueira não alcançaria o imóvel.
Diante das novas denúncias, a reportagem buscará esclarecimentos junto ao Saneacre sobre a situação do abastecimento em Acrelândia.
Entre os questionamentos estão a confirmação sobre a existência de problemas mecânicos no caminhão-pipa, a quantidade de veículos atualmente disponíveis para o atendimento emergencial, a frequência das entregas, os critérios utilizados para definir as rotas e a previsão para normalização do serviço.
Também será solicitado esclarecimento sobre os relatos de moradores que afirmam permanecer vários dias sem receber água e sobre a situação específica das famílias do bairro 28 de Abril, na região conhecida como Paraíso.
Até o fechamento desta matéria, os relatos de moradores sobre os dias de desabastecimento, a dificuldade de atendimento e a suposta quebra do caminhão-pipa não haviam sido oficialmente confirmados pelo órgão responsável.
O Saneacre disponibiliza o Serviço de Atendimento ao Consumidor pelo telefone (68) 3223-1579.