Política Política
Flávio Bolsonaro promete rever impostos criados ou elevados na gestão Haddad
Coordenadora econômica da campanha afirma que candidato do PL determinou à equipe uma revisão das medidas tributárias adotadas durante a passagem de Fernando Haddad pelo Ministério da Fazenda
05/10/2026 21h27
Por: Redação Fonte: Conteúdo de IA
Flávio Bolsonaro disputa o segundo turno com uma agenda econômica que prevê redução da estrutura do Estado e revisão tributária. (Foto: Agência Brasil)

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, pretende promover uma ampla revisão das medidas tributárias adotadas durante a gestão de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda. A informação foi apresentada por Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e responsável pela coordenação do plano econômico da campanha.

Segundo Daniella, o candidato teria orientado sua equipe a analisar e reverter impostos que foram criados ou tiveram suas alíquotas elevadas durante o período em que Haddad esteve à frente da Fazenda. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan.

Entre as medidas apontadas como prioritárias está a revisão do Imposto de Exportação incidente sobre o petróleo, cuja alíquota atualmente mencionada pela equipe é de 12%. Outra frente destacada é o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), com a proposta de retorno aos níveis praticados em 2022.

Mudança na política tributária

A proposta apresentada pela equipe de Flávio Bolsonaro coloca a política de impostos no centro do debate econômico da campanha. A intenção declarada é desfazer medidas consideradas excessivas pelo grupo e buscar uma estrutura tributária que, na avaliação dos aliados do candidato, produza menos pressão sobre determinados setores da economia.

A discussão, contudo, envolve diferentes impactos sobre arrecadação, preços, investimentos e equilíbrio das contas públicas. Uma eventual alteração de tributos dependeria ainda dos instrumentos legais necessários e, conforme o caso, da atuação do Congresso Nacional.

A equipe econômica de Flávio também vem defendendo uma política fiscal voltada à redução do déficit público como caminho para criar condições para uma eventual queda dos juros. Em declarações recentes, Daniella Marques afirmou que a campanha trabalha com uma agenda de revisão de normas e redução de burocracias.

Caixa Econômica permaneceria estratégica

Durante a mesma entrevista, Daniella Marques também negou que uma eventual administração de Flávio Bolsonaro tenha como objetivo privatizar a Caixa Econômica Federal.

De acordo com a coordenadora econômica, a intenção seria preservar empresas consideradas estratégicas para a execução de políticas públicas e para o desenvolvimento econômico, enquanto outras estruturas estatais poderiam ser submetidas a avaliações quanto à necessidade e eficiência.

A declaração busca afastar uma das preocupações que surgiram entre funcionários da instituição diante das discussões sobre uma possível mudança de governo. Daniella afirmou que a Caixa continuaria desempenhando papel relevante como instrumento de políticas públicas e de estímulo aos negócios.

Diálogo político também entra na agenda

Além das propostas econômicas, Daniella Marques afirmou que uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro precisaria estabelecer diálogo com o Congresso e com diferentes forças políticas.

A declaração sinaliza uma tentativa da campanha de apresentar uma postura de maior articulação institucional, especialmente diante da experiência do governo Jair Bolsonaro, marcado por momentos de forte tensão entre o Executivo e outras instituições.

No campo econômico, entretanto, a campanha ainda terá de detalhar como pretende conciliar a promessa de redução ou reversão de tributos com a necessidade de equilíbrio das contas públicas — uma das questões centrais colocadas no debate presidencial de 2026. Levantamentos recentes mostram que os principais candidatos convergem sobre a necessidade de algum tipo de ajuste fiscal, embora apresentem estratégias diferentes para alcançar esse objetivo.

A proposta de Flávio, portanto, coloca novamente a carga tributária no centro da disputa eleitoral e estabelece um contraponto direto à política econômica implementada durante a gestão de Haddad na Fazenda.