
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) confirmou nesta quinta-feira (8) dois casos de sarampo em pacientes que foram atendidos no Acre. A informação foi divulgada pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), após a conclusão dos exames laboratoriais que anteriormente haviam apontado suspeita para a doença.
Os casos envolvem uma criança de 11 meses e uma mulher de 30 anos, ambas residentes em Puerto Maldonado, no Peru. Antes de chegarem a Rio Branco, os pacientes passaram pelos municípios acreanos de Assis Brasil e Brasileia, localizados na região de fronteira.
Embora o diagnóstico tenha sido confirmado laboratorialmente, a investigação epidemiológica continua. As equipes de saúde trabalham para identificar o provável local de infecção, levantar possíveis exposições e acompanhar pessoas que tiveram contato com os pacientes.
De acordo com as informações divulgadas pela Sesacre, os dados reunidos até o momento indicam uma possível infecção fora do território acreano. Por isso, os casos apresentam características compatíveis com possível importação, mas essa classificação somente será definida oficialmente após a conclusão da investigação.
A confirmação mobiliza as estruturas de vigilância em saúde do Estado e dos municípios envolvidos. O acompanhamento inclui o monitoramento dos contatos dos pacientes e a adoção de medidas preventivas para reduzir o risco de transmissão.
A situação também ganha atenção especial em razão da proximidade do Acre com países onde há circulação do vírus. Em junho deste ano, o próprio ContilNet já havia alertado para a baixa cobertura vacinal contra o sarampo em parte dos municípios acreanos: entre janeiro e março, apenas Rio Branco e Senador Guiomard haviam atingido a meta recomendada para a primeira dose entre crianças de 1 a 4 anos.
O cenário reforça a importância da vacinação como principal estratégia de proteção coletiva. A imunização adequada reduz significativamente o risco de disseminação da doença e é fundamental, sobretudo em regiões de fronteira, onde o fluxo de pessoas entre diferentes países é intenso.
O Acre vinha mantendo um longo período sem registro confirmado da doença. Em 2024, o ContilNet destacou que o último caso havia sido registrado no estado no ano 2000, representando mais de duas décadas sem ocorrência confirmada.
Agora, com a confirmação laboratorial dos dois pacientes atendidos em Rio Branco, as autoridades sanitárias ampliam a vigilância para impedir que o vírus encontre condições para circular entre a população acreana.
A recomendação aos moradores é manter a caderneta de vacinação atualizada e procurar uma unidade de saúde para verificar a situação vacinal, especialmente de crianças. A orientação ganha ainda mais relevância diante da confirmação dos casos e da circulação do sarampo em países da região.
Fonte: ContilNet / Sesacre.