Acre Levantamento
Centenas de professores estão afastados por problemas de saúde mental no Acre, diz Sinteac
Segundo a presidente do sindicato, a situação chegou ao ponto de alguns profissionais desenvolverem medo de retornar ao ambiente escolar
15/10/2026 11h17
Por: Redação Fonte: Contilnet
Sinteac revela situação alarmante de professores no Acre/Foto: Reprodução/IA

Neste dia 15 de outubro, quando é celebrado o Dia dos Professores, um dado preocupante chama a atenção para a realidade enfrentada pelos profissionais da educação no Acre. Segundo estimativa do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Acre (Sinteac), mais de mil professores e funcionários podem estar afastados de suas funções por problemas de saúde, sendo a maioria dos casos relacionada a questões emocionais e psicológicas.

Em entrevista ao ContilNet, a professora Rosana Nascimento, representante do Sinteac, alertou para o crescimento dos afastamentos e destacou que a pressão enfrentada pelos trabalhadores, a desvalorização profissional e os episódios de violência no ambiente escolar contribuem para o adoecimento da categoria.

Rosana Nascimento é presidente do Sinteac/Foto: Reprodução

“A média é de mais de mil professores e funcionários afastados de suas funções. Acredito que já tenha [chegado a esse número]. Quer dizer, eram 900 e um pouquinho, aumentou muito”, afirmou.

De acordo com Rosana, embora os afastamentos também envolvam outras doenças adquiridas ou agravadas durante o exercício da profissão, os problemas relacionados à saúde mental representam a maior preocupação.

“A maioria é de ordem emocional, psicológica”, declarou.

Pressão e desvalorização contribuem para adoecimento

No Dia dos Professores, tradicionalmente marcado por homenagens e mensagens de reconhecimento, Rosana chama a atenção para uma realidade que, segundo ela, está distante da valorização esperada pelos profissionais.

A representante sindical afirma que a pressão da sociedade, os ataques à categoria e os episódios de agressão dentro das escolas têm provocado consequências graves para a saúde emocional dos trabalhadores.

“Eles sofrem com uma pressão muito grande. Aí você vê a questão da desvalorização, a pressão da sociedade, a profissão é banalizada, parlamentares chamam professores de vagabundos. Professor apanha de aluno, apanha de mãe, de pai”, relatou.

Segundo Rosana, a situação chegou ao ponto de alguns profissionais desenvolverem medo de retornar ao ambiente escolar.

“Tem professor que tem pavor de estar na sala, de estar na escola”, afirmou.

Professor em sala de aula/Foto: Pexels/Imagem ilustrativa

Afastamentos também impactam a rede de ensino

O crescimento dos afastamentos também provoca consequências para o funcionamento das escolas públicas. Conforme Rosana, quando um professor precisa deixar suas atividades por questões de saúde, a rede de ensino recorre à contratação de profissionais provisórios para garantir a continuidade das aulas.

“Aí cresce a quantidade de provisório, porque contrata um provisório para o lugar dele”, explicou.

Em alguns casos, os trabalhadores deixam as atividades em sala de aula e passam a exercer outras funções, de acordo com suas condições de saúde.

Sindicato cobra tratamento psicológico do governo

Diante desse cenário, Rosana defendeu a necessidade de medidas efetivas por parte do governo estadual, especialmente a oferta de acompanhamento psicológico e ações preventivas dentro da rede pública de ensino.

“Quem tem que tomar medida é o governo, de dar tratamento de saúde a esses trabalhadores. A gente cobra que eles deem tratamento na rede”, afirmou.

Para a representante sindical, o simples afastamento do professor das atividades escolares não resolve o problema quando não existe acompanhamento especializado.

“Um tratamento preventivo, porque só afastar ele da sala não é o suficiente, que ele continua adoecido. Tem que ter um acompanhamento psicológico na rede, preventivo”, defendeu.

Professores procuram sindicato com pensamentos suicidas

Um dos relatos mais graves apresentados pela representante do Sinteac envolve profissionais que procuram a entidade em situações de intenso sofrimento psicológico.

Questionada sobre as doenças mais comuns entre os trabalhadores afastados, Rosana explicou que não possui informações técnicas suficientes para detalhar os diagnósticos, mas mencionou ansiedade, depressão e outros problemas relacionados à saúde emocional.

“Essas coisas eu não sei te falar, porque isso é questão mais de um técnico, de profissional de saúde. Só sei que todos estão adoecidos pelo emocional, pelo psicológico, pela pressão que sofrem. Aí entra ansiedade, entra um monte de coisa”, declarou.

A professora também revelou que alguns profissionais chegam ao sindicato em busca de ajuda psicológica após desenvolverem pensamentos suicidas.

“Nossos colegas chegam no sindicato pedindo um psicólogo porque querem se matar”, relatou.

O número mencionado pela representante sindical é uma estimativa e inclui professores e outros funcionários afastados por diferentes problemas de saúde. Não foram apresentados dados oficiais detalhados sobre o total de afastamentos ou os diagnósticos registrados na rede estadual.

*Com informações do Portal ContilNet.