As despesas correntes empenhadas pelo governo do Estado do Acre registraram expansão de 21% nos primeiros oito meses de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, somando R$ 7,87 bilhões. No mesmo intervalo, as receitas correntes subiram 11%, passando de R$ 7,99 bilhões para R$ 8,84 bilhões. Os dados constam da edição mais recente do relatório RREO em Foco: Estados + Distrito Federal, publicado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) com balanços fiscais relativos ao quarto bimestre (julho e agosto).
O ritmo divergente entre a arrecadação e os gastos públicos reduziu a margem orçamentária estadual. Enquanto a entrada de receitas correntes incrementou cerca de R$ 850 milhões nos cofres públicos, os empenhos operacionais avançaram R$ 1,34 bilhão na comparação anual.
Apesar da aceleração da despesa, as contas estaduais mantiveram saldo positivo. O resultado orçamentário do Acre, calculado pela diferença entre receitas realizadas e despesas empenhadas, fechou o período em R$ 670 milhões (o equivalente a 8% da Receita Corrente Líquida, a RCL). No mesmo período de 2025, contudo, o superávit atingia R$ 1,05 bilhão (14% da RCL).
O levantamento do Tesouro revela retração em outro indicador de rigidez fiscal: o resultado primário do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). O saldo previdenciário somou R$ 560 milhões em 2026 (7,13% da RCL), contra R$ 990 milhões no acumulado do ano anterior (13,40% da RCL).
Distribuição dos gastos por áreas públicas
No acumulado até o quarto bimestre, as despesas liquidadas do Estado alcançaram R$ 8,89 bilhões. A análise por função governamental demonstra a destinação dos investimentos estaduais:
Em relação à composição orçamentária geral calculada sobre a receita total do Estado, a folha de pagamento e os custos com pessoal comprometem 54% dos recursos. Os gastos com custeio da máquina pública absorvem 32%, a dívida pública consome 3% e a taxa de investimentos diretos atingiu 4%.