Plácido de Castro Denúncia
Em Plácido de Castro, Mercado Municipal instalado há menos de uma semana apresenta infestação de pombos no telhado e feirantes comercializam produtos em meio a dejetos e riscos de contaminação
Resíduos dessas aves podem transmitir doenças respiratórias e intestinais graves e em alguns casos, fatais.
05/08/2025 08h50
Por: Redação
As fezes de pombo podem apresentar riscos à saúde devido a microrganismos presentes, como fungos e bactérias - Foto: Redação

Plácido de Castro - AC, 05 de agosto de 2025 — Menos de uma semana após sua instalação oficial, o novo Mercado Municipal Cícero Alves de Arruda, localizado no centro de Plácido de Castro, já enfrenta um grave problema de saúde pública: uma infestação de pombos no telhado da estrutura. Os feirantes, que comemoraram a nova instalação como um avanço para a economia local, agora relatam desconforto e insegurança diante da presença constante das aves e da sujeira causada por elas.

As imagens registradas por comerciantes e frequentadores mostram fezes de pombos espalhadas por bancadas, piso e até mesmo próximas a alimentos expostos para venda, como frutas, verduras, pães e carnes. Além do mau cheiro, os dejetos representam um sério risco de contaminação por doenças como criptococose, histoplasmose e salmonelose, todas relacionadas ao contato com fezes de aves.

“A gente estava tão animado com o novo espaço, mas ninguém esperava que os pombos tomariam conta tão rápido. Tem fezes até próximo onde a gente prepara as coisas. É um risco pra nossa saúde e para os clientes também”, relata um feirante que pediu para ser identificado, temendo represálias.

O problema, segundo os trabalhadores, já havia sido notado nos primeiros dias de funcionamento, mas se agravou nos últimos três dias, com o aumento do número de aves e a ausência de medidas preventivas. O telhado do mercado, embora coberto, possui vãos e estruturas abertas que facilitam a entrada e permanência dos pombos.

Os feirantes informaram ainda que nenhuma equipe técnica da Vigilância Sanitária foi enviada ao local para vistoriar as condições sanitárias do espaço. Eles cobram a necessidade urgente de intervenções que impeçam o acesso das aves e a limpeza dos ambientes.

Com mais de 300 espécies em todo o mundo, a família Columbidae, que inclui pombos e pombas, pode ser considerada fofa e até um símbolo de paz e esperança por muitos. No entanto, essas aves também são capazes de transmitir doenças fatais, tornando-se um problema de saúde pública. Isso porque as fezes secas dessas aves podem conter fungos e bactérias responsáveis por doenças respiratórias e disfunções intestinais graves em humanos. Moradores e frequentadores do mercado pedem uma resposta rápida do poder público.

A contaminação pode ocorrer quando a pessoa entra em contato com poeira proveniente das fezes secas (aerossóis) e, na maioria das vezes, os pacientes apresentam baixa imunidade. Na primeira doença, a criptococose, o fungo oportunista pode acometer os pulmões ou o sistema nervoso. Esse fungo pode estar presente no solo, em matéria orgânica e nas fezes das aves. Os sinais geralmente aparecem entre três semanas e três meses após a exposição. Entre os principais sintomas estão febre, tosse, dor no peito, perda de peso e fraqueza.

Os feirantes passaram a ocupar o espaço do Mercado Municipal Cícero Alves de Arruda no último sábado (2), com investimento anunciado pela prefeitura para fomentar a agricultura familiar e o comércio de produtos típicos da região, como farinha, frutas, peixes e derivados do leite. Apesar da boa estrutura, a ausência de um plano de controle de pragas e aves urbanas compromete, agora, a funcionalidade do espaço.

A prefeitura de Plácido de Castro ainda não se pronunciou oficialmente sobre o problema. Enquanto isso, comerciantes seguem trabalhando em meio à insalubridade, na expectativa de uma solução rápida que garanta a segurança alimentar e a dignidade do trabalho no novo mercado.

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