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Metas de Ano Novo: por que falhamos e como transformar frustração em aprendizado

Esse padrão também afeta o senso de realização. O foco no que deu errado alimenta uma sensação de vazio e pode levar a ansiedade, estresse ou até quadros leves de depressão

29/12/2025 às 09h50
Por: Com Informações da Assessoria Fonte: Com informações da assessoria
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À medida que o fim do ano se aproxima, muitas pessoas revisitam metas deixadas para trás e, com elas, sentimentos de frustração ou culpa. Segundo o psicólogo e docente da Estácio, Thiago Lacerda, essa reação é mais comum do que parece e tem explicação. Lacerda afirma que tendemos a superestimar nossa capacidade de mudança ao olhar para o futuro, fenômeno conhecido como viés de otimismo.

“Imaginamos que vai ser fácil mudar hábitos, como ir à academia todo dia ou aprender um idioma novo, mas a vida real traz imprevistos”, explica. A cultura do “ano novo, vida nova” reforça expectativas irreais e coloca sobre o indivíduo a responsabilidade total pelo sucesso ou fracasso. “Quando não alcançamos o que nos propomos, vem a culpa, como se faltasse força de vontade, e ignoramos fatores externos que influenciam o processo”, diz ele.

A cobrança excessiva não afeta apenas o planejamento. Ela mexe diretamente com a saúde mental. Lacerda compara essa pressão a “um peso que vai se acumulando”. Segundo ele, a autoestima é frequentemente abalada quando metas não são cumpridas: “É fácil começar a se sentir um fracasso, como se o valor pessoal dependesse de conquistas mensuráveis.”

Esse padrão também afeta o senso de realização. O foco no que deu errado alimenta uma sensação de vazio e pode levar a ansiedade, estresse ou até quadros leves de depressão. “É um ciclo vicioso: quanto mais você se cobra, menos energia sobra para se cuidar”, explica. A síndrome do impostor, aquela voz interna que afirma que nada é suficiente, tende a ganhar força nesse cenário.

Para quebrar esse ciclo, Lacerda sugere mudar a lente através da qual olhamos para nossas metas. Em vez de interpretar resultados não alcançados como falhas pessoais, ele propõe enxergá-los como experiências que trazem informação valiosa. “Pergunte-se: o que funcionou? O que posso ajustar?”, recomenda.

Celebrar pequenas conquistas também é essencial. “Se a meta era ler 20 livros e você leu cinco, esses cinco já te trouxeram novas ideias. Isso é progresso real.” A prática da autocompaixão ajuda a reduzir a desmotivação e prepara emocionalmente para planejar o ano seguinte com mais clareza.

Planejamento saudável e flexível

Para quem deseja organizar o próximo ano de maneira mais equilibrada, Lacerda defende a ideia da “flexibilidade intencional”. Em vez de metas rígidas e grandiosas, ele sugere focar em processos contínuos e realistas. “Priorize duas ou três metas que realmente importam e crie planos B. A vida não é linear”, aponta.

Outra recomendação é incluir no planejamento margens para imprevistos, algo entre 20% e 30% do tempo ou da energia disponível. Isso reduz a sensação de fracasso quando eventos inesperados surgem, sem comprometer totalmente o andamento das metas.

Lacerda também destaca o potencial transformador do período de fim de ano. Em vez de autocrítica, ele recomenda uma abordagem de curiosidade: listar pequenas conquistas, identificar aprendizados e reconhecer esforços. “Pratique gratidão pelo processo, não só pelo resultado”, orienta.

Evitar comparações nas redes sociais e focar em valores pessoais torna o encerramento do ano mais leve. “Assim, o ano novo vira um recomeço empoderador, sem o peso do arrependimento”, afirma.

Para o psicólogo, entrar em 2026 com clareza e leveza é possível, desde que as metas deixem de ser exames de perfeição e passem a ser ferramentas de autoconhecimento e evolução.

Com informações da assessoria

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