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Salário mínimo já não cobre o básico e exige escolhas difíceis para milhões de brasileiros

De acordo com o estudo, o salário mínimo ideal, com base nos custos de alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, girou em torno de R$ 7.106,83 a R$ 7.156,15 ao longo de 2025 — cerca de 4,7 vezes o piso oficial vigente.

27/02/2026 às 18h59
Por: Com Informações da Assessoria Fonte: Com informações da assessoria
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Foto: Freepik
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O salário mínimo no Brasil — atualmente fixado em R$ 1.518 cobriria apenas cerca de 21% a 22% do valor estimado como necessário para manter uma família de quatro pessoas com despesas básicas, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). De acordo com o estudo, o salário mínimo ideal, com base nos custos de alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, girou em torno de R$ 7.106,83 a R$ 7.156,15 ao longo de 2025 cerca de 4,7 vezes o piso oficial vigente.

Para a professora do curso de Administração da Estácio e especialista em finanças Mayanna Marinho, os números explicam por que “viver com dignidade com um salário mínimo é cada vez mais difícil, especialmente quando há mais de uma pessoa dependendo dessa renda”. “A diferença entre o que se ganha e o que se precisa para cobrir as despesas básicas é enorme, e isso impacta diretamente o poder de compra das famílias”, afirma.

Segundo a especialista, a situação se agrava pela falta de planejamento financeiro difundido entre quem recebe menos. “As pessoas muitas vezes não conseguem identificar exatamente com o que gastam, não fazem nenhum controle e então parecem sempre insuficientes, porque o recurso se dissipa sem estratégia”, observa Mayanna.

O estudo do DIEESE considera a cesta básica mais cara do país para estimar o salário mínimo necessário. Mesmo com o reajuste dado pelo governo em 2025, que elevou o mínimo para R$ 1.518 e passou a impactar a renda de cerca de 59,9 milhões de pessoas, o piso continua distante de suprir as necessidades de uma família de quatro pessoas.

Organizar um orçamento dentro desse contexto, segundo Mayanna, começa por reconhecer quais são as despesas fixas essenciais — como aluguel, alimentação, água e luz — e estabelecer limites claros de gasto. “Sem essa análise, não há chance de ajustar o orçamento nem de pensar em objetivos como poupar ou criar uma reserva de emergência”, explica.

Sobre a possibilidade de poupar com um salário mínimo, a especialista admite que é um “exercício delicado”: “Depende da composição familiar e de quantas pessoas contribuem para a renda. Mas, se houver compromisso e clareza de gastos, até valores pequenos — por exemplo, guardar R$ 2 por dia — se transformam em algo relevante ao longo de meses e anos”, pondera.

Os dados do DIEESE reforçam o debate sobre políticas públicas de valorização do salário mínimo, educação financeira e medidas de proteção social, ressaltando que o valor atual do piso nacional está longe de garantir aquilo que a Constituição prevê como condição mínima de dignidade para trabalhadores e suas famílias.

 

Com informações da assessoria

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