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Milei dobra a aposta e volta a criticar Lula: 'é um ladrão, um corrupto'

O presidente argentino defendeu suas declarações mais recentes sobre Lula e disse que foram dadas de forma espontânea.

Redação
Por: Redação Fonte: BBC News
04/08/2026 às 08h31
Milei dobra a aposta e volta a criticar Lula: 'é um ladrão, um corrupto'
avier Milei voltou a fazer críticas duras a Lula no domingo - EPA

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a fazer duras críticas a Luiz Inácio Lula da Silva no domingo (02/08), chamando o brasileiro de "ladrão" e "corrupto".

"Ele foi solto [da prisão] devido a um erro processual. Ele não é inocente", disse Milei, em referência à condenação de Lula na operação Lava Jato, que foi anulada em 2021.

O presidente argentino defendeu suas declarações mais recentes sobre Lula e disse que foram dadas de forma espontânea.

"Eles falam sobre interferência política na região. Se alguém está interferindo politicamente na região, é Lula, contaminando tudo com as ideias imundas do socialismo."

As declarações de Milei foram feitas ao programa de televisão La Cornisa, do jornalista Luis Majul, na emissora LN+.

"O pior é que eles me acusam com mentiras, e eu respondo com verdades. Eu não menti. Quando respondo com verdades, o senhor Lula se sente atacado? Ele é um corrupto e um ladrão. É um condenado. Saiu da prisão por meio de um recurso administrativo. Eu fui ao Brasil e não ataquei os brasileiros; falei em defesa dos brasileiros. Falei sobre Lula, o corrupto, o condenado, e sobre o juiz Alexandre de Moraes [do STF], que me negou uma visita a [Jair] Bolsonaro."

Milei também rejeitou as acusações de que foi agressivo.

"Agressivo é que alguém roube. É muito mais leve chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar", disse o presidente argentino.

Em um discurso inflamado no evento, Milei enalteceu suas políticas econômicas na Argentina, criticou o socialismo, Lula e as políticas sociais do brasileiro.

"Esse é o método que tem operado em toda a região: causar desequilíbrio econômico com o objetivo de 'comprar' votos para não perder o poder nas eleições seguintes", afirmou.

Milei associou a candidatura de Flávio a uma "transformação política em curso" na região. Segundo ele, países da América Latina estão se alinhando à direita e abandonando a esquerda, movimento ao qual o Brasil pode se juntar com a eventual eleição de Flávio.

Depois das declarações, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para "transmitir a repulsa" do governo brasileiro em relação aos comentários.

"Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro", disse o Itamaraty em nota.

"É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal parceiro comercial."

O Itamaraty também chamou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para prestar esclarecimentos ao Itamaraty sobre a relação entre os dois países.

As declarações de Milei também tiveram grande repercussão na imprensa argentina.

Em um artigo de opinião publicado no jornal La Nación, o jornalista Claudio Jacquelin afirmou que esta é "maior crise diplomática do último meio século entre a Argentina e o Brasil" e que o governo Milei já deixou claro "que não haverá pedido de desculpas por parte" do embaixador argentino em Brasília e "muito menos" do presidente.

Na semana passada, dois dias após o discurso do argentino em São Paulo, Milei compartilhou uma série de publicações com críticas ao presidente Lula em sua conta no X.

Uma das postagens afirmava: "Lula é um ex-presidiário e, quando veio à Argentina, visitou sua aliada condenada [a ex-presidente Cristina Kirchner]. Ele é o fundador do Foro de São Paulo e mantém Bolsonaro inelegível."

Em outra publicação compartilhada pelo presidente argentino, lê-se: "Estou enojado com todos os idiotas e hipócritas que vieram se desculpar com Lula."

Lula respondeu dias depois dizendo que Milei fez uma "patacoada" no evento em São Paulo e chamou o argentino de "aquela coisa".

"Eu não falei nada, porque a minha relação é uma relação de chefe de Estado com o Estado. E eu gosto do povo argentino e não vou ficar trocando coisa com aquela coisa", disse o presidente brasileiro.

 

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