
Com a repercussão de uma reportagem do Fantástico, da TV Globo, que mostrou a situação precária da Escola Estadual Rural Limoeiro Anexo, em Bujari, no interior do estado, o Tribunal de Contas do Acre (TCE-AC) determinou o afastamento cautelar do secretário estadual de Educação, Aberson Carvalho, por 30 dias.
Por meio de nota, o governo do Acre destacou que respeita decisões dos órgãos de controle, que respeita as 'decisões e a necessária garantia de direito ao contraditório e o trabalho conjunto, visando à transparência das contas públicas'. (Veja a íntegra da nota após esta reportagem)
Questionada se o secretário será ou não afastado, a assessoria de comunicação do governo explicou que o 'Tribunal de Contas pode aplicar sanções como multas aos gestores públicos, mas não tem o poder de afastar um secretário de estado de seu cargo' e que Aberson segue como secretário de Educação do Acre.
A medida, assinada pela presidente do órgão, Dulce Benício, foi publicada no Diário Eletrônico de Contas desta terça-feira (10) e cita a necessidade de apuração sobre a falta de estrutura na escola e suposta violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ainda conforme a presidente, a medida foi tomada após um pedido do Ministério Público de Contas (MPC-AC) e é necessária para garantir a devida apuração das possíveis irregularidades.
O g1 também acompanhou a visita à escola e retratou o cenário desolador da escola que funciona em uma estrutura improvisada, sem paredes nem piso, sem água encanada, e com professora e alunos se dividindo entre as aulas e a limpeza do local.
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Escola Estadual Rural Limoeiro Anexo - Bujari/AC — Foto: Victor Lebre/g1 AC
Conforme o TCE, a decisão deve ser cumprida imediatamente e deve ser apreciada na próxima sessão ordinária do pleno, que deve ocorrer nesta quinta-feira (12), e pode ser convertida em afastamento definitivo.
Ainda de acordo com o TCE, a representação do MPC-AC, baseada na reportagem e em visita de auditores da instituição, aponta:
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Escola conta com uma pequena cozinha, que tem geladeira (quebrada), fogão, pia e bebedouro, e também funciona como biblioteca
Ao ver o local, nem de longe a unidade se aproxima de uma escola estadual. Mas é nela que cerca de 17 alunos, divididos em dois turnos, cumprem o ano letivo. Consiste em apenas alguns pilares de madeira sob telhas, sem paredes e sem assoalho, no chão de barro.
Também há uma pequena cozinha, que funciona como despensa e até biblioteca. O compartimento tem bebedouro e também uma geladeira, mas, à época da visita da reportagem, estava quebrada desde outubro.
A sala improvisada é cercada por mato, e, os próprios pais de alunos precisam fazer uma limpeza para que o local não seja completamente tomado pela vegetação. Somente há cerca de um mês foi feito um banheiro. Antes, era preciso fazer as necessidades no mato. Não há água encanada, e eles contam com a doação de um vizinho.
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Escola Estadual Rural Limoeiro Anexo - Bujari/AC — Foto: Victor Lebre/g1
A professora Célia Amorim se divide entre aulas simultâneas para sétimo e oitavo anos do ensino fundamental pela manhã, e nono ano do ensino fundamental e primeiro ano do ensino médio à tarde. À noite, uma outra professora dá aulas da modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA).
A professora, que costuma chegar ao local às 6h30, dorme na casa da cunhada, onde também mora uma das alunas, e fica na escola até às 17h.
Célia também é responsável por preparar os alimentos servidos na hora do lanche.
“Lavo louça, faço merenda. Os alunos, na maioria das vezes, lavam o prato que sujam, e eu lavo o restante. Vou fazer um cuscuz, temos sardinha, macarrão, arroz, feijão. É difícil [cumprir várias funções], só que eu tô me acostumando, né? O dia agora está dividido em dois turnos, mas quando eu comecei, era todo mundo junto de manhã e aí eu não conseguia dar conta”, fala.
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Escola Estadual Rural Limoeiro Anexo - Bujari/AC — Foto: Victor Lebre/g1
Por ela também integrar a comunidade, a relação é de amizade com a educadora, mas os alunos reconhecem que a rotina acaba atrapalhando as aulas. Além disso, a infraestrutura precária também incomoda quem precisa da escola. Ao longo do dia, eles precisam até mudar de cadeira para escapar do sol.
“Não é nada contra aqui, porque, pelo menos, a gente tem onde fazer as coisas. Mas é muito ruim, tem muito bicho [insetos] devido ser [perto da] mata, e campo perto. Eu acho que é um pouco difícil também. Principalmente no verão [porque] os caminhões começam a passar, e como não tem nenhuma parede, nem nada, aí a poeira vem toda para nós”, relata Kaianny Jesus de Souza, estudante da unidade, enquanto lava a louça da merenda.
O governo do Acre reafirma sua confiança e respeito às instituições de controle externo da gestão. Este governo sempre se pautou pelo respeito institucional dos poderes, incluindo os de controle externo. As instituições do Estado Democrático Republicano têm suas funções asseguradas pelas constituições federal e estadual.
Sendo assim, respeitamos as decisões e a necessária garantia de direito ao contraditório e o trabalho conjunto, visando à transparência das contas públicas.
Reforçamos que o Estado tomou as providências necessárias no caso em questão e, além disso, por meio da Secretaria de Educação, faz questão de disponibilizar não só os dados desta gestão, como também aqueles referentes à atuação na área das gestões anteriores, para fins de comparação e análise por parte do Tribunal de Contas do Estado (TCE), buscando a extração de um relatório mais robusto em dados comparativos, para conhecimento da sociedade.
Por fim, reiteramos nosso compromisso com a lisura, a eficiência e a transparência, destinadas ao bem-estar social e ao cuidado com as pessoas.
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