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Retinopatia diabética tende a dobrar até 2045

Retinóloga explica doença ocular silenciosa que pode levar à cegueira em pacientes com diabetes

30/07/2025 às 16h27
Por: Redação Fonte: Agência Dino
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Nos últimos anos, a retinopatia diabética tem se consolidado como uma das principais causas de perda visual evitável em todo o mundo. Segundo o Atlas de Diabetes da International Diabetes Federation (IDF), 589 milhões de adultos entre 20 e 79 anos de idade vivem com diabetes em todo o mundo. Estima-se que este número aumente para 853 milhões até 2050. O Brasil está entre os dez países com o maior número de adultos (de 20 a 79 anos) com diabetes no mundo. De acordo com a projeção do IDF, até 2050 serão 24 milhões de casos.

Uma complicação comum que pode ocorrer na população adulta com diabetes é a retinopatia diabética. De acordo com a oftalmologista Dra. Geraldine Ragot de Melo, especialista em retina, “a retinopatia diabética é uma complicação progressiva que afeta os vasos sanguíneos da retina e, quando não tratada, pode levar à cegueira irreversível”. Ela destaca que o problema muitas vezes evolui de forma silenciosa, o que torna a detecção precoce um fator decisivo para preservar a visão dos pacientes diabéticos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já classificou a retinopatia diabética como uma das principais causas de cegueira evitável no mundo. A entidade reforça que estratégias de rastreamento populacional e acompanhamento oftalmológico periódico são essenciais, principalmente em países em desenvolvimento, onde o acesso a especialistas ainda é limitado.

Estudos mostram que é muito importante a detecção precoce para a eficácia dos tratamentos, pois quanto maior a gravidade da doença, pior é o resultado da terapia. O acompanhamento oftalmológico deve ser iniciado assim que detectado a diabetes. “O tratamento é mais eficaz quando iniciado nos estágios iniciais da doença, mesmo antes dos primeiros sintomas visuais”, alerta a retinóloga.

A médica explica que, do ponto de vista clínico, a retinopatia diabética se divide em dois tipos principais: a não proliferativa (inicial) e a proliferativa (avançada), além do edema macular diabético, que afeta diretamente a visão central. Ela destaca que terapias como injeções intravítreas de antiangiogênicos, fotocoagulação a laser e, em casos mais avançados, cirurgia vítreo-retiniana, têm mostrado eficácia significativa no controle da progressão da doença.

Com o aumento da longevidade e da prevalência do diabetes tipo 2, especialmente em países como o Brasil, as projeções para as próximas décadas indicam crescimento exponencial nos casos de retinopatia diabética. Estudos projetam que, até 2045, o número de brasileiros com alguma complicação ocular diabética poderá dobrar.

“É fundamental conscientizar a população sobre a importância de cuidar não apenas do controle glicêmico, mas também da saúde ocular. A visão pode ser preservada quando há prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado”, conclui Dra. Geraldine.

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