
"Estava com a boca cheia de barro, o nariz também e que quase não conseguia respirar. Foi desesperador, não sabia a quantidade de barro que estava sobre mim e o que fiz foi tentar gritar".
O encanador Cleiciano Kaxinawá da Silva, de 26 anos, quase morreu durante a manutenção de uma rede de água de Assis Brasil, interior do Acre. Ele estava dentro de um buraco de quase 2 metros de profundidade quando houve um deslizamento de terra e parte do barro retirado caiu por cima dele.
Cleiciano foi soterrado e sobreviveu com ajuda dos colegas de trabalho que se mobilizaram rapidamente para o retirar. O resgate foi gravado por outros colegas na última terça-feira (7).
Em nota, o Serviço de Água e Esgoto do Estado do Acre (Saneacre) confirmou o acidente e disse que o deslizamento de terra ocorreu, 'apesar das bancadas e dos procedimentos de contenção adotados pela equipe técnica', devido a instabilidade do solo.
Nas imagens, é possível ver quatro homens tirando barro com as mãos para tentar retirar o indígena. O trabalhador disse que perdeu a consciência por alguns segundos e quando acordou estava imobilizado pelo barro.
"Pedimos apoio ao pessoal do Deracre que tem máquina para retirar o barro. Cavaram e a gente foi para fazer o conserto. Já tinha desmoronado parte do barro antes, bateu no meu braço, ficou um pouco dolorido. Pensamos que não ia mais desmoronar e descemos para fazer a conexão, quando fui surpreendido por uma avalanche de barro nas minhas costas", recordou.
Amigos salvaram
Cleiciano recordou também que ouvia os colegas falando com ele, pedindo para ficar calmo e que tudo daria certo. Ele não sabe o tempo exato que ficou soterrado, mas revela que pareceram longos minutos.
"Pra mim foi muito tempo. Acho que fiquei uns 40 segundos com a cabeça coberta por barro. Um dos rapazes começou a retirar o barro logo na região da minha cabeça, o que aliviou. A sensação que eu tinha era que estava esmagando minha coluna. Meus colegas foram essenciais, mesmo com risco de cair mais barro e foram me ajudar. Muito gratidão a Deus por me colocar do lado deles", explicou.
A parte do corpo que mais doía, segundo ele, era a coluna e temia ter fraturado alguma vértebra. "Pensava, se minha coluna quebrar, me ferrei. Vai ser muito ruim. Me tiraram do buraco, fiquei na calçada e me deu dor de cabeça, a vista embaçou e quis dormir, mas me despertaram", relembrou.
O indígena foi levado para o hospital da cidade, onde recebeu atendimento e ficou em em observação até a manhã dessa quarta. Ele não fraturou nenhum osso e disse estar bem fisicamente.
Há mais de um ano, Cleiciano quase sofreu um acidente semelhante. "Era uma situação complicada, uma adutora grande que estava mexendo. Meu antigo gerente me acompanhava em uma área de difícil acesso, estava dentro de um buraco quando caiu um monte de barro também. Foi por pouco", concluiu.
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