
Quem viveu em Plácido de Castro nas décadas de 80, 90 e início dos anos 2000, certamente guarda na memória um lugar simples, mas cheio de significado: o bueiro da antiga rodovia AC-401, hoje conhecida como AC-475. Em uma época em que as opções de lazer eram poucas e a natureza era o principal ponto de encontro, aquele trecho se transformou em um verdadeiro balneário improvisado, marcado por risadas, mergulhos e tardes intermináveis sob o sol amazônico.
Localizado nas proximidades do extinto Parque Ecológico, o bueiro era mais do que uma passagem de água sob a rodovia. Para muitos jovens, crianças e famílias inteiras, era ponto certo para se refrescar nos dias quentes, reunir amigos e aproveitar o que o local oferecia de forma generosa. A água corria limpa, convidativa, e o ambiente simples bastava para criar lembranças que atravessam décadas.
Além do banho, o local também era bastante utilizado para a prática da pesca. Com varas improvisadas ou apenas linha e anzol, era comum fisgar peixes típicos da região, como o acará, o mandim e as traíras, que faziam a alegria de quem tinha paciência e habilidade. A pesca ali não era só esporte, mas parte do cotidiano e da relação direta com a natureza.
Hoje, o cenário é bem diferente. A antiga AC-401 ganhou nova nomenclatura e passou a se chamar AC-475, mas o bueiro, infelizmente, perdeu o brilho de outros tempos. Atualmente, o local encontra-se contaminado por produtos químicos, o que impede qualquer tipo de uso recreativo e acende um alerta sobre os impactos ambientais causados ao longo dos anos.
Resta, então, a saudade. Saudade de um tempo em que a simplicidade era suficiente, em que um bueiro se transformava em balneário e em que a convivência com a natureza fazia parte da rotina. Memórias que seguem vivas na lembrança de quem viveu aquela época e que ajudam a contar a história afetiva de Plácido de Castro.