
Por Edinei Muniz
Na memória política do Acre, poucas frases carregam tanta força simbólica quanto aquele velho refrão de campanha que ecoava pelas ruas de Rio Branco no início dos anos 1990: “Eu vejo… eu sinto… o nosso candidato é Edmundo Pinto.”
Mais do que um slogan eleitoral, a frase transformou-se numa espécie de marca emocional de uma geração inteira. Ela resumia o sentimento popular que cercava Edmundo Pinto: um político que surgira das derrotas, da persistência e da construção lenta de uma liderança profundamente conectada às ruas.
Edmundo não foi um fenômeno instantâneo.
Antes de alcançar o Palácio Rio Branco, acumulou derrotas eleitorais, enfrentou resistências internas e percorreu uma longa travessia política até conquistar seu espaço.
Quando venceu a eleição para vereador de Rio Branco em 1982, sendo o mais votado da capital, começava ali a ascensão de umaliderança que se consolidaria como uma das mais populares do Acre contemporâneo.
Havia nele algo que transcendia partidos.
Mesmo pertencendo ao antigo PDS — herdeiro político da ARENA — Edmundo possuía uma capacidade rara de diálogo popular.
Caminhava pelos bairros, falava diretamente ao povo, conhecia lideranças comunitárias, frequentava mercados, visitava servidores e estabelecia uma relação política baseada no contato humano e na presença constante.
Era um político de multidão.
Sua campanha para o governo, em 1990, ocorreu num dos momentos mais turbulentos da história brasileira recente. O PMDB, antes hegemônico, enfrentava divisões profundas.
O Acre vivia o surgimento de novas forças políticas ligadas aos movimentos sociais e ambientais.
E o Brasil atravessava os impactos do governo Collor e da redemocratização ainda inconclusa.
Foi nesse cenário que Edmundo Pinto venceu.
Derrotou estruturas tradicionais, sobreviveu à fragmentação política e triunfou num confronto histórico contra Jorge Viana, então símbolo da nova esquerda acreana.
Aquela frase de campanha — “Eu vejo… eu sinto…” — parecia captar exatamente o clima daquele momento. Não era apenas propaganda.
Era emoção política.
Era identificação popular.
Era o sentimento de milhares de acreanos que enxergavam em Edmundo um homem simples, combativo e obstinado.
Alguém capaz de romper barreiras e enfrentar adversários maiores.
Sua chegada ao governo representou o último grande triunfo eleitoral de um grupo político ligado às antigas estruturas conservadoras do país. Mas também marcou uma transição histórica: o Acre mudava rapidamente, e novas forças já começavam a surgir no horizonte. O destino, porém, interrompeu brutalmente aquela trajetória.
Na madrugada de 17 de maio de 1992, em São Paulo, Edmundo Pinto foi assassinado dentro do hotel onde estava hospedado. A notícia mergulhou o Acre numa comoção profunda.
O estado inteiro parou diante da tragédia que encerrava, de maneira abrupta, uma carreira política ainda em construção. Mais de trinta anos depois, o eco daquele velho refrão continua vivo na memória acreana.
“Eu vejo… eu sinto… o nosso candidato é Edmundo Pinto.”
Hoje, a frase já não pertence apenas a uma campanha eleitoral.
Pertence à história política do Acre.
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