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Quatro em cada cinco idosos no Brasil têm demência sem diagnóstico; entenda

Mais de 80% dos idosos que apresentam critérios para a doença nunca receberam diagnóstico médico

23/05/2026 às 14h34
Por: Redação Fonte: CNN Brasil
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Pesquisa aponta que 83,1% dos participantes convivem com demência e não tinham diagnóstico prévio • Nes/GettyImages
Pesquisa aponta que 83,1% dos participantes convivem com demência e não tinham diagnóstico prévio • Nes/GettyImages

Quatro de cada cinco brasileiros idosos convivem com demência, sem nunca receberem diagnóstico médico formal. A informação é de pesquisa conduzida por estudiosos da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) teve participação de 5.249 pessoas, acompanhadas pelo Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil).

O alto índice de subnotificação já havia sido apontado por levantamento feito pelo Relatório Nacional sobre a Demência em 2024, pelo Ministério da Saúde. A pesquisa recente, publicada na revista científica International Journal of Geriatric Psychiatry, confirmou que 83,1% dos participantes convivem com condição neurológica e não tinham diagnóstico prévio.

O estudo ainda ressalta desigualdades pautadas por região e condição socioeconômica. As ocorrências do quadro foram mais observadas entre pessoas analfabetas (93,9%) e moradores de regiões mais pobres (90,2%). Nas regiões mais ricas do país, o percentual de ausência de diagnóstico foi cerca de 76%.

O Ministério da Saúde estima que, atualmente, 2,5 milhões de brasileiros convivam com demência. Considerando a subnotificação identificada pelo estudo, 2 milhões delas ainda não entraram na conta. A estimativa é de que, até 2050, o número pode triplicar e pode representar um dos maiores desafios para o sistema de saúde nos próximos anos.

Os autores do artigo defendem que o diagnóstico preciso é essencial para o manejo clínico adequado, permitindo melhor planejamento dos pacientes e familiares. A demência é um quadro irreversível, mas, se diagnosticada precocemente, pode ser atenuada combinando tratamento com medicamentos para estabilizar a cognição e controlar sintomas, com terapias não farmacológicas.

Eles destacam que as dificuldades de acesso ao sistema de saúde e falta de preparo de alguns profissionais estão entre fatores agravantes da subnotificação, que eles entendem como uma questão cultural na medicina diagnóstica. "O declínio cognitivo é entendido como uma consequência esperada do envelhecimento", alertam. De acordo com os pesquisadores, a visão colabora para diagnósticos tardios ou não realizados.

 

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