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Cientistas descobrem o maior escorpião que já existiu e que devorava todas as espécies

Predador com mais de um metro de comprimento estava no topo da cadeia alimentar, sendo capaz de caçar e comer qualquer animal

06/06/2026 às 07h03 Atualizada em 06/06/2026 às 07h07
Por: Redação Fonte: R7
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Praearcturus gigas era um gigante solitário em um mundo onde a vida terrestre estava apenas começando a se desenvolver | Natural History Museum/Franz Anthony
Praearcturus gigas era um gigante solitário em um mundo onde a vida terrestre estava apenas começando a se desenvolver | Natural History Museum/Franz Anthony

Cientistas descobriram o maior escorpião que já habitou a Terra, uma criatura gigante que dominava os ecossistemas do período Devoniano, também conhecida como Idade dos Peixes, há cerca de 415 milhões de anos. Conhecido como Praearcturus gigas, este predador de mais de um metro de comprimento ocupava o topo absoluto da cadeia alimentar, sendo capaz de caçar e devorar praticamente qualquer espécie que estivesse ao seu alcance em uma era de biodiversidade ainda limitada.

Essa descoberta, detalhada por pesquisadores do Museu de História Natural de Londres, no Reino Unido, revela que o Praearcturus era um gigante solitário em um mundo onde a vida terrestre estava apenas começando a se desenvolver. Equipado com garras de 16 centímetros, ele se posicionava como um predador de elite, aterrorizando tanto o terreno das planícies aluviais da época quanto os ambientes aquáticos, garantindo que nenhuma presa potencial estivesse segura de seu alcance.

Embora os primeiros fósseis dessa espécie tenham sido descobertos em 1871 entre a Inglaterra e o País de Gales, sua identidade exata permaneceu um mistério por mais de um século, sendo inicialmente confundido com um crustáceo gigante semelhante a um tatu-bola. Foi apenas por meio de um novo estudo publicado na revista Palaeontology, liderado por Richard J. Howard, curador de artrópodes fósseis no museu, que tecnologias como a tomografia computadorizada confirmaram que os fragmentos pertenciam, de fato, a um escorpião pré-histórico.

O gigantismo do Praearcturus gigas é atribuído à ausência de outros grandes predadores na época, o que lhe permitiu dominar seu ambiente sem oposição. Como os ancestrais de répteis, aves e mamíferos ainda não haviam abandonado totalmente a água, este escorpião provavelmente levava uma vida semiaquática, o que lhe permitia alternar entre caçar pequenos artrópodes na terra e peixes maiores nos rios e lagos, consolidando sua posição como o senhor absoluto de seu domínio.

A confirmação de que o Praearcturus era de fato um escorpião baseou-se na identificação de características anatômicas precisas, como um esterno alongado e subtriangular. Essa estrutura é virtualmente idêntica à encontrada no escorpião canadense Eramoscorpius brucensis, descoberto em 2015, que serviu como peça fundamental para resolver o quebra-cabeça taxonômico da espécie britânica.

Além das garras, o animal possuía pedipalpos gigantescos com dedos móveis de quase 8 centímetros e uma superfície estridulatória, um órgão que permite a produção de som e que ainda é observado em algumas espécies modernas.

A biologia da espécie sugere um caso intrigante de evolução: por ser parente de outros aracnídeos que possuem pulmões foliáceos, é provável que ele descendesse de ancestrais que já respiravam ar, mas que retornaram à água para aproveitar a abundância de presas maiores e o suporte físico que o meio líquido oferece a corpos de grande porte.

Embora o Praearcturus gigas tenha sido o mestre absoluto de seu tempo, seu destino final permanece sob investigação. Fragmentos fósseis encontrados em Somerset, na Inglaterra, sugerem que a linhagem deste escorpião gigante pode ter persistido por pelo menos mais 40 milhões de anos antes de se extinguir.

Mais descobertas são necessárias para entender como essa espécie enfrentou o aumento da competição à medida que os ecossistemas terrestres se tornavam mais povoados e complexos nos períodos subsequentes.

 

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