
Em uma entrevista concedida no podcast Na Pele do Cordeiro, o prefeito de Plácido de Castro, Camilo da Silva, fez um balanço da trajetória política e administrativa à frente do município e apresentou um relato centrado em três pilares: reorganização das contas públicas, ampliação das parcerias institucionais e fortalecimento da capacidade de investimento da prefeitura.
Ao revisitar os primeiros momentos de sua gestão, Camilo destacou o cenário financeiro encontrado pelo município e afirmou que a administração precisou adotar medidas de austeridade para recuperar a credibilidade institucional e recolocar Plácido de Castro em condições de acessar recursos e celebrar novos convênios.
Segundo o prefeito, quando assumiu a prefeitura em janeiro de 2021, o município acumulava 18 restrições no sistema de informações utilizado para transferências voluntárias, situação que, em sua avaliação, comprometia a capacidade administrativa e financeira da cidade. Conforme relatado na entrevista, em aproximadamente oito meses, até agosto daquele mesmo ano, as pendências foram regularizadas e o município voltou à condição de adimplência.
A estratégia, de acordo com Camilo, passou também pela renegociação de débitos, regularização de parcelamentos e cumprimento dos compromissos financeiros. O gestor ressaltou que fornecedores, servidores e encargos passaram a ser tratados dentro de uma política de maior rigor fiscal.
Outro ponto apresentado como parte desse processo foi a redução da estrutura administrativa. O número de secretarias municipais, segundo o prefeito, caiu de 16 para 6 pastas, numa tentativa de reduzir despesas e concentrar a estrutura do Executivo nas áreas consideradas prioritárias.
Camilo afirmou ainda que os secretários que permaneceram na administração exercem papel estratégico na condução das políticas públicas. Durante a conversa, o Secretário de Gestão Pública Rogen Lima foi citado pelo gestor como uma espécie de “primeiro-ministro” do município, em referência à proximidade e à participação nas decisões da administração.
Para além das contas públicas, a entrevista também colocou a produção rural no centro da estratégia de desenvolvimento de Plácido de Castro.
Camilo destacou o crescimento da atividade agrícola, especialmente na produção de soja e milho, e defendeu a consolidação do município como uma área com potencial para ampliar sua participação na cadeia produtiva regional.
Na visão apresentada pelo prefeito, o fortalecimento do agronegócio precisa caminhar paralelamente à melhoria da infraestrutura. Nesse contexto, as condições de trafegabilidade das principais vias de acesso aparecem como uma preocupação permanente da administração.
A Rodovia AC-40, principal ligação terrestre de Plácido de Castro com Rio Branco, foi apontada como uma das prioridades. O prefeito também mencionou a importância da Rodovia AC-475 e do ramal Novo Horizonte, este último tratado como uma espécie de terceira rota de ligação entre o município e a capital.
A manutenção dessas vias, segundo Camilo, possui impacto direto não apenas sobre o deslocamento da população, mas também sobre o transporte da produção e a circulação de mercadorias.
O prefeito também reconheceu as limitações da arrecadação própria de Plácido de Castro. Por não possuir uma base industrial expressiva ou atividades como exploração de petróleo e mineração, o município, segundo ele, precisa recorrer a uma articulação política mais ampla para viabilizar obras estruturantes.
Nesse cenário, Camilo enfatizou a importância da relação institucional com o Governo do Estado e com a bancada federal do Acre.
A estratégia, conforme relatada, consiste em buscar emendas, convênios e investimentos externos para executar obras e ampliar serviços sem comprometer o equilíbrio das contas municipais.
A avaliação do prefeito é que a articulação entre Prefeitura, Estado e parlamentares pode transformar limitações orçamentárias em capacidade de realização, especialmente em setores como infraestrutura, saúde e atendimento à população da região de fronteira.
Na área da saúde, Camilo destacou a mudança na dinâmica do atendimento especializado. Segundo o gestor, médicos especialistas passaram a se deslocar até Plácido de Castro para atender pacientes, reduzindo a necessidade de viagens frequentes a Rio Branco.
A reativação do centro cirúrgico do Hospital Dr. Manoel Marinho Monte também foi apontada como uma conquista relevante. De acordo com o prefeito, centenas de procedimentos cirúrgicos já foram realizados desde a retomada das atividades.
A proposta, segundo ele, é fazer com que o cidadão consiga resolver dentro do próprio município uma parcela cada vez maior de suas necessidades de saúde, deixando para a capital apenas os casos que exigem estruturas ou procedimentos ainda indisponíveis localmente.
Para tratamentos que dependem de Rio Branco, a exemplo da hemodiálise, o município mantém transporte gratuito. A logística, conforme explicada pelo prefeito, contempla o deslocamento do paciente até a capital, a espera durante o atendimento e o retorno à residência.
O serviço, segundo Camilo, busca evitar que famílias de menor renda tenham de assumir custos de transporte em tratamentos que exigem deslocamentos recorrentes.
Outro assunto abordado na entrevista foi o impacto econômico da Universidade Amazônica de Pando, instalada na Vila Evo Morales.
Localizada em uma região estratégica de fronteira, Plácido de Castro mantém relações econômicas e sociais que ultrapassam os limites territoriais brasileiros. Para o prefeito, a presença de estudantes e a circulação de pessoas entre os dois países podem representar novas oportunidades para o comércio e para a economia local.
A localização geográfica, nesse contexto, aparece como um ativo que pode ser melhor aproveitado pelo município, especialmente com investimentos em infraestrutura, serviços e fortalecimento das atividades comerciais.
No campo político, Camilo também comentou o cenário eleitoral e declarou apoio à governadora Mailza Assis (PP), posicionando-se dentro do grupo político que trabalha pela continuidade do projeto governamental no Acre.
A manifestação ocorre em um momento de intensificação das articulações políticas no Estado, no qual prefeitos e lideranças municipais passam a exercer papel relevante na formação das alianças e na mobilização de bases eleitorais no interior.
Sem dissociar a política da administração pública, Camilo apresentou sua atuação como resultado de uma construção que, segundo ele, depende de diálogo permanente com diferentes esferas de poder.
Ao longo da entrevista, o prefeito também reforçou uma concepção política sobre o papel do poder público: a cidade deve pertencer ao cidadão.
A declaração sintetiza, segundo a linha apresentada por Camilo, uma visão de administração que pretende colocar o interesse coletivo acima de interesses particulares ou comerciais.
Nesse entendimento, transparência, organização financeira e prestação de serviços públicos seriam instrumentos para devolver à população aquilo que, na avaliação do gestor, constitui um direito básico: viver em uma cidade estruturada, com acesso à saúde, educação, infraestrutura, produção e oportunidades econômicas.
Ao fazer um balanço de sua passagem pelo Executivo municipal, Camilo procura, assim, associar a reorganização fiscal à capacidade de investimento e, consequentemente, aos resultados que a administração pretende apresentar à população.
Entre números, obras, articulações políticas e projetos para o setor produtivo, o discurso do prefeito aponta para uma tentativa de consolidar Plácido de Castro como um município financeiramente mais organizado, economicamente mais ativo e politicamente articulado para enfrentar os desafios da região de fronteira.
A entrevista também expôs a estratégia política do gestor para os próximos capítulos: preservar o equilíbrio das contas, ampliar parcerias, fortalecer a produção e manter a prefeitura como protagonista na busca por investimentos capazes de transformar demandas históricas em ações concretas.