
Ayres Rocha, que apresentou o Jornal do Acre 2ª Edição (JAC2) por três décadas, morreu nesta quarta-feira (14), aos 62 anos, em Rio Branco. O jornalista tratava um câncer e estava aposentado desde 2024, quando deixou a Rede Amazônica, afiliada da TV Globo no estado.
O velório começa às 10h desta quarta-feira, na capela da Funerária São João Batista, na Avenida Antônio da Rocha Viana, na capital acreana.
O tratamento contra o câncer foi feito em João Pessoa, na Paraíba, e o jornalista voltou a Rio Branco cerca de um mês antes de morrer. Para a irmã, Elaina Rocha, o retorno teve como motivo a vontade de ficar ao lado dos parentes e do lugar onde ergueu sua carreira. Ela contou que o irmão esteve acompanhado pela família no hospital até a véspera do falecimento e que, mesmo debilitado, ainda brincou e se comunicou por gestos.
A entrada no jornalismo aconteceu em 1989, de forma inesperada. Naquele período, ele atuava como bancário pela manhã e procurava uma segunda ocupação para as tardes, quando apareceu a chance de trabalhar na então TV Acre. Depois de meses observando a rotina da redação, veio o convite para ocupar o lugar de um apresentador de programa esportivo ausente. Venceu o desconforto diante das câmeras e, dali em diante, acompanhou as mudanças do telejornalismo local por mais de três décadas.
Ele também apresentou outras edições de telejornais da emissora antes de chegar à bancada do JAC2, em 1995, ano de estreia do programa. Com os anos, criou uma marca pessoal, feita de voz inconfundível e tranquilidade no ar, e recebeu dos colegas de redação o apelido de “professor”. Mais tarde, buscou formação acadêmica e cursou Comunicação Social.
A governadora Mailza Assis divulgou nota de pesar. No texto, afirmou que a caminhada do apresentador integra a história da comunicação acreana e que seu trabalho rendeu reconhecimento de várias gerações. A mensagem citou a esposa, Waldenira; os filhos Marcelo, Álvaro Neto e Luiza; e os netos Maria Eliza, Miguel, Isaque, Heloise e Apolo, a quem estendeu condolências, assim como aos demais familiares, amigos e colegas de imprensa.
A prefeitura de Rio Branco também se manifestou oficialmente. A nota classifica o jornalista como um dos principais nomes da comunicação do estado e afirma que ele teria sido o apresentador de telejornal local da Rede Globo com a trajetória mais longa em todo o país.
Em 2019, Ayres representou o Acre nas comemorações dos 50 anos do Jornal Nacional, quando dividiu a bancada com a jornalista Jéssica Senra, então à frente do Bahia Meio-Dia. A passagem pelo principal telejornal da Globo deu projeção nacional ao trabalho que ele desenvolvia no estado.
Nascido em Rio Branco, onde foi criado, José Ayres de Souza Rocha era o caçula de uma família com nove filhos biológicos e duas filhas adotivas. A infância foi na Rua Silvestre Coelho, no bairro Bosque. Seus pais eram Álvaro Vieira da Rocha, paraense, e Raimunda de Souza Rocha, nascida em Xapuri, no interior do Acre.
O apresentador ficou três décadas no ar, incluindo os sábados, e virou companhia frequente de várias gerações de acreanos, que passaram a acompanhar as notícias do estado com sua voz. Em 2024, ao deixar a emissora, foi homenageado pela trajetória construída na televisão.