
Quem está com dívidas em aberto pode se perguntar: “meu salário pode ser penhorado?”. Pela legislação brasileira, a resposta costuma ser negativa. De forma geral, os rendimentos de um trabalhador são protegidos — afinal, trata-se de verba alimentar, essencial para a sobrevivência.
No entanto, decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) mudaram o entendimento sobre esse tema. Com isso, situações antes consideradas exceções passaram a ser aceitas com mais frequência, especialmente quando não há outros bens disponíveis para garantir o pagamento.
Antes de abril de 2023, apenas duas situações permitiam a penhora do salário: quando a dívida envolvia pensão alimentícia ou quando o devedor ganhava mais de 50 salários mínimos. A nova jurisprudência do STJ, no entanto, ampliou essas possibilidades.
Agora, mesmo quem recebe menos pode ter parte do salário bloqueada para pagar dívidas, desde que o juiz entenda que não há outra alternativa viável. Ainda assim, a penhora continua sendo uma medida extrema, limitada a até 30% da renda mensal do trabalhador.
Essa mudança não altera a lei, mas cria um precedente. Na prática, significa que trabalhadores assalariados, independentemente da faixa salarial, podem ser alvo de penhora se outras formas de quitação da dívida estiverem esgotadas.
Mesmo com a flexibilização do entendimento sobre a penhora de salários, o Judiciário ainda prioriza outros caminhos antes de mexer diretamente na renda do devedor. Entre as possibilidades, está a penhora de bens materiais.
Imóveis, veículos, eletrodomésticos e até itens de menor valor, como joias, podem ser confiscados caso a dívida não seja quitada de forma voluntária. Isso inclui também móveis e objetos que não comprometam a subsistência da família.
Esse tipo de ação é regulado pelo Código de Processo Civil. O artigo 831 determina que os bens penhorados devem ser suficientes para cobrir o valor devido, incluindo juros, custas e honorários advocatícios. Por isso, cada caso é avaliado individualmente pela Justiça.
Ter o nome negativado pode impactar diretamente a vida financeira, dificultando o acesso a crédito, empréstimos e até contratos de aluguel. Por isso, o primeiro passo para regularizar a situação é entender o valor total da dívida e buscar renegociar.
Muitos credores oferecem condições especiais para quem deseja quitar débitos, como descontos para pagamento à vista ou parcelamentos com entrada reduzida. Feirões de negociação, promovidos por plataformas de proteção ao crédito, também são uma boa oportunidade para acertar as contas.
Por fim, é fundamental manter o controle do orçamento, evitar novas dívidas e acompanhar o CPF em serviços como o Serasa ou SPC. Com planejamento e organização, é possível recuperar o equilíbrio financeiro e tirar o nome da lista de inadimplentes.
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