
As medidas cautelares impostas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao governador do Acre Gladson Camelí (PP) foram prorrogadas por mais 180 dias em decisão proferida na última quarta-feira (5).
Entre as medidas estão a proibição de falar com testemunhas e outros investigados no caso, o recolhimento do passaporte e proibição de deixar o Brasil, além do bloqueio de bens e valores.
O desdobramento ocorreu poucos dias após a Corte Especial marcar a data do julgamento dele em ação penal que investiga fraudes em licitação, desvio de recursos públicos e formação de organização criminosa.
Quando teve o julgamento marcado, Camelí disse que confia na Justiça, mas ponderou que deseja que não haja "interferência política" na análise do caso.
A ministra Nancy Andrighi pediu a prorrogação das cautelares porque elas perderiam a validade neste fim de semana. Esta foi a terceira prorrogação das medidas cautelares desde o recebimento da denúncia contra Camelí, em maio de 2024.
A investigação, que teve início em 2019, foi conduzida pela Polícia Federal na Operação Ptolomeu. As denúncias envolvem a contratação da empresa Murano, com sede em Brasília, para prestar serviços ao governo do estado. A empresa teria subcontratado outra, localizada no Acre, que tem como sócio o irmão de Gladson Cameli, Gledson Cameli.
Segundo a acusação, essa contratação resultou em um esquema de favorecimento financeiro ao governador e a outros envolvidos, causando prejuízos aos cofres públicos. Mesmo se tornando réu, ele foi mantido no cargo.
Em dezembro do ano passado, ele prestou depoimento. Seus advogados de defesa disseram, à época, que iriam apontar falhas no processo. Eles pontuaram ainda sobre HDs apreendidos que, supostamente, não foram periciados, e um relatório de inteligência financeira com informações “inconsistentes”.
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