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Epstein-Barr: cientistas descobrem como bloquear vírus que afeta 95% da população

Estudo aponta caminho inédito para impedir infecção comum ligada a cânceres e doenças graves

17/04/2026 às 12h41 Atualizada em 17/04/2026 às 13h37
Por: Redação Fonte: R7
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O vírus Epstein-Barr está presente em cerca de 95% da população mundial | Reprodução/PLoS
O vírus Epstein-Barr está presente em cerca de 95% da população mundial | Reprodução/PLoS

Um vírus extremamente comum, presente em cerca de 95% da população mundial, pode estar mais perto de ser controlado. Pesquisadores do Fred Hutch Cancer Center, em Seattle, nos Estados Unidos, anunciaram um avanço importante na tentativa de bloquear o vírus Epstein-Barr (EBV), responsável por infecções que, na maioria das vezes, passam despercebidas, mas podem causar doenças graves em algumas pessoas.

O Epstein-Barr é transmitido principalmente pela saliva e causa a chamada “doença do beijo. O vírus é conhecido por ser ”silencioso" porque, após a infecção inicial, ele permanece no organismo por toda a vida. Em muitos casos, não provoca sintomas relevantes. No entanto, está associado a diversos problemas de saúde, incluindo alguns tipos de câncer, doenças neurodegenerativas e outras condições de longo prazo.

Para entender o avanço, é preciso saber como o vírus age. O EBV infecta principalmente células do sistema imunológico chamadas células B. Ele consegue se ligar e entrar nelas, iniciando a infecção.

“Encontrar anticorpos humanos que bloqueiem o vírus Epstein-Barr de infectar nossas células do sistema imunológico tem sido particularmente desafiador porque, ao contrário de outros vírus, o EBV encontra uma maneira de se ligar a praticamente todas as nossas células B”, afirmou Andrew McGuire, bioquímico e biólogo celular da Divisão de Vacinas e Doenças Infecciosas do Fred Hutch.

Os cientistas desenvolveram uma nova estratégia baseada em anticorpos monoclonais, que são moléculas criadas em laboratório que imitam a ação do sistema imunológico. Esses anticorpos foram projetados especificamente para impedir que o vírus se ligue às células humanas e consiga invadi-las.

Anticorpos bloqueiam vírus

Para testar a ideia, a equipe utilizou camundongos geneticamente modificados para produzir anticorpos humanos. Com isso, foi possível identificar quais dessas moléculas seriam mais eficazes contra o vírus. O resultado foi a descoberta de diferentes anticorpos capazes de bloquear pontos-chave usados pelo EBV para infectar as células.

Os pesquisadores focaram em duas proteínas do vírus: a gp350, responsável por ajudar o EBV a se fixar na célula, e a gp42, que permite a entrada do vírus no interior celular. Foram identificados dois anticorpos que atacam a gp350 e outros oito que atuam contra a gp42.

Nos testes finais, um dos anticorpos direcionados à proteína gp42 conseguiu impedir completamente a infecção nos modelos experimentais com sistema imunológico semelhante ao humano. Já um anticorpo contra a gp350 ofereceu proteção parcial. Isso indica que bloquear a entrada do vírus pode ser a estratégia mais eficaz.

Outro ponto importante do estudo foi a identificação de “pontos fracos” do vírus. Essas áreas podem servir de base para o desenvolvimento de vacinas ou novos tratamentos no futuro, ampliando o impacto da descoberta para além do Epstein-Barr.

Esperança para transplantados

O avanço pode ser especialmente relevante para pacientes transplantados. Todos os anos, mais de 128 mil pessoas passam por transplantes de órgãos ou medula óssea nos Estados Unidos. Esses pacientes precisam usar medicamentos que diminuem a imunidade, o que pode permitir que o vírus se reative ou se espalhe de forma descontrolada.

Nesses casos, o EBV pode provocar uma condição grave chamada doença linfoproliferativa pós-transplante, um tipo de câncer do sistema imunológico que pode ser fatal. Atualmente, não existem terapias específicas para prevenir esse problema, o que torna a descoberta ainda mais significativa.

A proposta dos cientistas é que, no futuro, esses anticorpos possam ser administrados como uma infusão preventiva. A ideia é bloquear o vírus antes que ele infecte as células ou volte a se multiplicar, especialmente em pessoas com maior risco de complicações.

Agora, os pesquisadores trabalham para transformar a descoberta em tratamento real. Os próximos passos incluem testes de segurança em humanos e, posteriormente, ensaios clínicos com pacientes.

 

 

 

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